Lugar Cativo

"A melhor defesa é o ataque" Hugo Meisl

Desconto de Tempo #6

sexta-feira, setembro 30, 2005

Fica difícil falar sobre o que quer que seja depois do descalabro do futebol português nas provas europeias.6 jogos, 1 vitória, 1 empate e 4 derrotas! Verdadeiramente miserável! E pergunto: afinal qual o real valor do futebol português? O que FC Porto, Boavista e Sporting demonstraram nas últimas 3 temporadas; ou o que as derrotas de Porto e Sporting contra equipas cujas aspirações europeias são participar nas provas apresentam? Provavelmente nem um nem outro, algo de intermédio a fugir mais para o primeiro. Pelo menos, esta semana serviu para amenizar os egos nacionais que já anteviam mais uma época fantástica (apesar de ainda irmos a tempo de fazer qualquer coisa digna).

Já aqui havia escrito que não partilho do entusiasmo generalizado de Portugal ter mais equipas nas competições europeias, já que normalmente não têm o traquejo necessário para estas andanças. Mas ainda assim, mostrava-me optimista com as possibilidades lusitanas de um bom desempenho “uefeiro” esta temporada. Felizmente não tenho o hábito de apostar, ou muito provavelmente estaria a chorar o meu investimento.

As derrotas de Benfica e Setúbal são pouco mais do que banais, porque só o mais fanático dos seus adeptos poderia esperar algo mais, no caso benfiquista talvez um empate. De qualquer forma, são derrotas que não “sujam” a cara dos clubes, nem os deixam em dificuldades morais. Já o mesmo não se pode dizer de Porto e Sporting, que não só perderam, como perderam em sua casa perante equipas que só em sonhos podiam tal almejar.

Começando pelos leões, devo dizer que acompanhei o jogo através das sms recebidas por uma amiga minha, sportinguista ferrenha, e pelos seus gritos de desespero a cada golo sueco. Peseiro falhou por completo na abordagem às competições europeias, deixou escapar a participação na Champions League, e não conseguiu entrar na fase de grupos da UEFA, isto após se ter declarado como candidato à final. Perante isto, a pressão sobre o treinador leonino será cada vez maior, até porque já só tem o campeonato para salvar a temporada, pois não me parece que uma boa caminhada na Taça de Portugal sirva para amenizar os estragos.

O FC Porto só não está pior porque ainda tem possibilidades de continuar em prova, ou em seguir para a Taça UEFA. Mas perder em casa com o Artmedia, depois de estar a ganhar por 2-0 não lembra ninguém. Como é típico em Portugal, ainda o jogo não tinha acabado e já toda a gente criticava Adriaanse pela postura ofensiva da equipa; sendo os principais críticos aqueles que “endeusaram” o técnico holandês e o futebol portista. Isto só demonstra que em Portugal se vai de “bestial a besta” em muito pouco tempo, e no caso da maioria dos comentadores futebolísticos deste país ainda em menos tempo.

Muito sinceramente, não me parece que o Porto tenha perdido por jogar excessivamente ao ataque e descurar a defesa; perdeu por algo bem mais grave: displicência. Os jogadores portistas acreditaram ter o jogo ganho e deixaram “as coisas andar”; quando deram por ela, já estavam atrás no marcador e sem discernimento para recuperar. Mais do que os adeptos, acho que foram os jogadores que mais se deslumbraram com o futebol praticado.

O Braga acabou por perder em casa a eliminatória, permitindo ao Estrela Vermelha o que não tinha conseguido em Belgrado: um golo. Os sérvios conseguiram mesmo ser a primeira equipa a marcar aos arsenalistas. A falta de capacidade ofensiva dos minhotos, agravada com as lesões de João Tomás e Delibasic, provou ser fatal para as suas aspirações, o que só prova que também não adianta defender bem, é preciso atacar.

Valeu a vitória do Guimarães, consolidando a vantagem levada para Cracóvia. Saganowski voltou a marcar, e agora esperemos que Pacheco consiga surpreender mais uma vez a Europa.

Patética

quinta-feira, setembro 29, 2005
A derrota do FC Porto em casa com o Artmedia é patética e vergonhosa, sobretudo da forma que aconteceu. Não há que andar a discutir tácticas e as vantagens/desvantagens do futebol ofensivo de Adriaanse; esta derrota não tem nada a ver com isso, a de Glasgow sim, esta nada!

O Porto perdeu por pura displicência dos seus jogadores que se acharam intocáveis quando chegaram ao 2-0! A causa é esta e pronto. Os jogadores acharam que os "pobres coitados" dos eslovacos (aposto que a maioria nem sabe onde fica a Eslováquia) não tinham o que era preciso para batê-los.

Sou portista e sinceramente, por muito chateado que esteja com a derrota, acho que foi merecida porque não se admite que jogadores pagos a peso de ouro desprezam companheiros de profissão e que dêem jogos como garantidos aos 40 minutos da primeira parte.

Quanto ao teinador, errou ao dar 45 minutos a mais a Jorginho e Bosingwa, e 15 minutos a menos a Diego.

CL: 2ª jornada, 1º dia - Guia fotográfico

quarta-feira, setembro 28, 2005

Flickr Slideshow

Foi bom... mas nem tanto


A discussão do dia é a derrota do Benfica em Old Trafford e a procura dos culpados de tal ter acontecido. Diz-se que o Benfica perdeu uma oportunidade histórica de vencer o Manchester... Mentira!

Os encarnados fizeram um bom jogo: não tremeram com o nome do adversário, não se assustaram com o palco; estiveram seguros e concentrados. Sinceramente não esperava que se saíssem tão bem no Teatro dos Sonhos! Mas fazer crer que o Benfica podia ter ganho é atirar areia para os olhos das pessoas; podia ter empatado, que seria um resultado fabuloso, mas não fez o suficiente para se dizer que podia ter ganho. O Manchester teve as melhores ocasiões e foi um justo vencedor; em caso de empate, seria um prémio justo para o desempenho benfiquista, com especial destaque para Manuel Fernandes que cada vez mais prova ser um grande jogador.

Diz-se que Koeman teve medo e não foi audaz, que a equipa jogou demasiado recuada. É verdade que nos momentos a seguir ao empate, podia-se esperar que o Benfica aproveita-se a natural ansiedade de uma equipa em crise, mas esquecem-se que pouco após o golo de Simão, Cristiano Ronaldo mostrou ao holandês que se resolvesse apostar no ataque perdia o jogo, sem apelo nem agravo. Koeman foi inteligente ao fazer recuar a equipa: o Manchester é mais perigoso em ataques rápidos com espaços para os seus jogadores da frente partirem em velocidade, do que quando se vê confrontado com linhas defensivas coesas e demasiado perto da área. Ao recuar, obrigou o defesa inglesa a subir no terreno criando espaço nas suas costas, e foi aqui que o holandês falhou: a equipa não conseguiu aproveitar as debilidades defensivas do Utd.

Se quisermos ser sintéticos, o Benfica perdeu porque o Manchester tem jogadores melhores a quem não se pode dar espaço. Quem deixa Ruud van Nistelrooy solta na área num canto, só pode esperar sofre golo. Koeman pode dizer que foi uma falha de marcação, mas a verdade é que o Benfica é muito fraco em termos defensivos nas bolas paradas. Falta trabalho de casa!

Premier League: um exemplo a seguir

domingo, setembro 25, 2005

Em 1991 a liga inglesa encontrava-se num estado deplorável, agravado pelos numerosos problemas envolvendo adeptos que flagelaram o futebol britânico no decorrer da década de 80. À tristemente célebre tragédia de Heysel, da qual resultou a suspensão dos clubes ingleses das provas europeias por 5 temporadas, juntaram-se o incêndio no Valley Parade de Bradford (1985) e o desastre de Hillsborough (1989), sem contar com os problemas de hooliganismo que proliferavam pelo país. Situações que levaram a que o envolvimento do governo britânico na busca de uma resolução para o problema fosse mais explicíto. Como resultado do desastre de Hillsborough, foi criada uma comissão com o objectivo não só de investigar o sucedido, mas também de criar um documento que servisse para legislar as questões de segurança relacionadas com eventos desportivos, mais precisamente jogos de futebol. Deste documento resultou a obrigatoriedade de os estádios passarem a ter apenas lugares sentados, acabando-se com os populares e tradicionais terrace que até então sempre haviam existido em Inglaterra.

A necessidade de corresponder às exigências do "Relatório Taylor" agudizou os problemas da maioria dos clubes já em dificuldades financeiras ao terem que renovar o seu parque desportivo. Assim, em 1991 a Liga Inglesa via-se confrontada com uma situação que nunca na sua história centenária tivera pela frente. Os problemas de segurança trouxeram o descrédito ao torneio, a maioria dos clubes encontrava-se numa situação financeira precária e os adeptos, desde sempre leais, abandonavam os estádios decrépitos pelo conforto do seu lar. Esta conjuntura impedia os clubes ingleses de competirem com os maiores clubes europeus pelo concurso de jogadores de top e, o que ainda era pior, era-lhes quase impossível manter os seus melhores atletas aliciados pela riqueza e competitividade continental.

Não é difícil estabelecer um paralelo entre o que se passava então em Inglaterra e o que se tem passado em Portugal nos últimos anos, tendo em conta todas as diferenças sócio-culturais existentes obviamente. Mas ao contrário de cá, os clubes ingleses resolveram chamar a si a responsabilidade de resolver a situação e criaram, a 27 de Maio de 1992 a English Premier League, à altura com 22 participantes (a redução para 20 deu-se na temporada 94/95 com o objectivo de aumentar a competitividade e qualidade do jogo). Desde logo estabeleceu-se um padrão de exigência elevado para todos os clubes que desejassem fazer parte da nova competição; exigências que abrangiam aspectos como a saúde financeira dos clubes ou a qualidade dos recintos desportivos. Disso exemplo é o prémio anual para o melhor relvado da competição, bem como as multas aplicadas aos clubes cujo estádio não apresente um relvado em boas condições - algo que cá é pouco menos que banal!

É importante realçar que os clubes da Premier League se empenham na formação de novos jogadores e se envolvem em acções comunitárias junto das populações locais, dois aspectos que em Portugal ou são considerados como irrelevantes ou nem sequer constam do vocabulário do dirigismo nacional. O trabalho comunitário permite, entre outras coisas, cativar novos simpatizantes por parte dos clubes, mas pelos vistos aos clubes portugueses o número de adeptos de que dispõem é mais do que suficiente!

Como é óbvio, não pretendo que em Portugal se aplique o modelo inglês, pelo menos não nos mesmos moldes já que a realidade nacional em nada se assemelha à britânica, nem em termos sociais nem em termos futebolísticos. Mas o dinamismo apresentado pelos clubes ingleses deve ser visto como um exemplo a seguir pelos clubes portugueses, não podendo haver lugar a defesa de "coutadas" pessoais em detrimento de uma solução útil para o desporto nacional.

Duplo Jackpot

sábado, setembro 24, 2005
Luke Moore, avançado de 19 anos do Aston Villa, vai recolher as 10 mil libras do prémio que o Sun prometeu oferecer ao jogador que marcasse o primeiro golo desta temporada ao Chelsea. Foi aos 44 minutos da primeira parte que o jovem inglês aproveitou uma colisão entre Paulo Ferreira e John Terry para facturar; a equipa de Mourinho acabou por vencer a partida por 2-1 com dois golos de Lampard, somando agora 7 vitórias em outras tantas partidas!




Já na Alemanha são os adeptos do Hamburgo que têm motivos para festejar já que a vitória por 2-0 da sua equipa sobre o Bayern Munique garante-lhes 10,000 litros de cerveja cortesia da destilaria Bitburger como prémio por terem acabado com os 15 jogos consecutivos sempre a vencer dos bávaros, contando com a parte final da temporada passada. Os golos da vitória foram marcados por Raffael van der Vaart e Trochowski.


Fotos: Yahoo!NewsPhoto e GettyImages


Desconto de Tempo #5

sexta-feira, setembro 23, 2005


Depois de Co Adriaanse também Carlos Carvalhal apontou críticas ao estado do futebol português, nomeadamente à falta de público nas bancadas. O treinador do Belenenses considera o preço avultado dos bilhetes a principal causa do problema; concordo que seja a principal mas não é, infelizmente, a única. Este tema está claramente em voga, não só porque não se trata de uma enfermidade exclusivamente nacional, mas porque a longo prazo ameaça seriamente o futebol. Mas, enquanto em outras paragens se movem esforços para discutir o problema, remediando e prevenindo, por cá pouco se diz e nada se faz. Carvalhal pede que seja dado voz aos treinadores, eu peço – de certeza apoiado por muitos – que seja dada voz aos adeptos. Será pedir muito que a Liga se dê ao trabalho de realizar uma pesquisa a nível nacional, auscultando adeptos e profissionais do mundo do futebol, no intuito de procurar soluções para o problema?

Mas como não pretendo falar das falhas dos outros caindo nas mesmas, fica aqui o meu contributo para a discussão focando-me em 4 das principais causas do estado actual do futebol luso:


1) Preço dos bilhetes – não há como contornar esta realidade de tão óbvia que ela é: ir a um jogo de futebol é demasiado caro para o bolso português. Não adianta culpar a crise, porque essa é uma questão de todo o país e não apenas do futebol nacional; mas mesmo sem crise, o problema persiste e está relacionado com a falta de estratégia comercial tão tipicamente portuguesa. O futebol neste aspecto assemelha-se um pouco ao comércio tradicional: quer-se ter o lucro todo de uma só vez. Parece não haver forma de os clubes portugueses entenderem que se baixarem o preço dos bilhetes, terão mais pessoas a assistir aos jogos, acabando por ter a mesma receita ou podendo mesmo aumentá-la. Além do mais, esta situação pode levar à fidelização dos adeptos que se sentem mais "à vontade" para ir aos jogos já que não pesa tanto na carteira. A reintroduzição dos bilhetes para criança é fundamental, já que a sua inexistência afasta as famílias dos estádios o que não só representa a perda imediata de x bilhetes, mas condiciona dividendos futuros já que se perde uma quota importante do mercado que importa "agarrar" desde cedo. Há que recuperar o hábito de levar os "miúdos à bola". Nesta questão, para além dos clubes, é culpada a Liga que não é capaz de regular os preços de uma forma justa e honesta para com os adeptos.


2) Infra-estruturas – com a realização do Euro'04, houve a oportunidade de renovar uma pequena parte dos recintos desportivos do país, mas no geral o panorama continua deprimente. É difícil convencer as pessoas a sair de casa quando ao conforto do sofá se contrapõe bancadas de cimento a céu aberto. Para além da falta de qualidade, a maioria dos estádios nacionais encontram-se desfasados das realidades dos clubes que servem, daí o aspecto abandonado da maioria. Um bom exemplo é o Estádio Municipal de Barcelos, um mau é, como não poderia deixar de ser, o Estádio Dr. Magalhães Pessoa em Leiria. Ainda no campo das infra-estruturas, é inconcebível que na principal competição desportiva de um país se permitam relvados em condições deploráveis e que pouca diferença apresentam com um qualquer batatal por esse Portugal fora. Mais uma vez, a falta de regulamentação por parte da Liga leva a que o problema se arrasta ano após ano.

3) Qualidade do futebol – embora se tenta tapar o Sol com uma peneira, a verdade é que o futebol português, ou se preferirem o futebol praticado em Portugal, é fraco e isso afasta os adeptos dos estádios. E por mais que se tente fazer parecer, os resultados das principais equipas portuguesas nas competições europeias e o desempenho da selecção portuguesa no Euro, não têm nada a ver com o assunto; são realidades diferentes. Dizer que o FC Porto que venceu a Champions League representa um U. Leiria - Marítimo em que estão 400 pessoas a ver um 0-0 pouco menos do que aborrecido, é não só mentira como é estar a gozar com as pessoas. A maioria das equipas continua a praticar um futebol de qualidade medíocre alicerçada na filosofia do "pontinho"; Koeman diz que defender bem também faz parte do espectáculo, algo com que concordo, mas defender apenas, seja bem ou mal, não promove em nada o espectáculo.

4) Mentalidade - já há muito se disse e é uma verdade à qual não se escapa, os portugueses não gostam de futebol, ou melhor gostam mas só quando ganham. Tem a sua lógica, a vitória da nossa equipa eleva o nosso prestígio social, e todos procuramos que a nossa imagem social seja elevada; se ao associarmo-nos com uma equipa corremos o risco de ficar a perder, não é necessário dar-nos ao trabalho de a apoiar. Aqui não existe a cultura de ligação que há em Inglaterra entre clubes e adeptos, e é pena que assim seja. Este é provavelmente o único problema do futebol português cuja resolução não depende das estruturas federativas.

Prevenir a tempo

quinta-feira, setembro 22, 2005

Os problemas com a falta de público nos estádios não são apenas exclusividade portuguesa. As primeiras 6 jornadas da Premier League registaram uma baixa de 4,5% de espectadores comparativamente ao mesmo período da época passada; traduzindo em números concretos de uma média de 33 mil espectadores, passou-se para 32.500 um número que em Portugal é considerado como excelente para certas equipas.

Mesmo sendo provável que se trate de algo que se corrigirá com o avanço da temporada, os ingleses não estão dispostos a perder o que ganharam com o estabelecimento da Premier League em 1992, altura em que a média de assistências rondava os 22.000. Como tal, foi desde já marcada para o próximo mês uma reunião da Premier League para discutir o problema. Sobre a mesa vão estar problemáticas como o preço dos bilhetes e o excesso de futebol na televisão, embora não estando de parte o problema da possível falta de competetividade.

Mais do que as razões, o exemplo que aqui importa retirar é o de como o que à partida poderia ser encarado como um problema insignificante despoletou para a acção as mais altas figuras do campeonato inglês, bem como o acompanhamento do processo por parte do governo britânico. Aquilo que os ingleses procuram evitar, uma geração que só assiste a jogos pela TV, é aquilo que em Portugal é a realidade; a diferença é que lá procura-se prevenir, cá nem tão pouco reagir parece ser uma preocupação.

O Dono da bola

terça-feira, setembro 20, 2005







As palavras do mítico treinador do Liverpool parecem espelhar na perfeição o trabalho de José Mourinho à frente do Chelsea. A equipa da capital londrina não faz prisioneiros, e à 6ª jornada lidera a PremierLeague com 6 vitórias, 12 golos marcados e nenhum sofrido. Verdadeiramente impressionante!

O campeonato inglês sempre foi um garante de emoção, não só em cada jogo, mas no desfecho final havendo sempre duas ou três equipas com possibilidades de almejar o ambicionado troféu até bem perto do final da temporada. Isso era o cenário até à chegada do "Special One" na temporada passada. O primeiro título foi pouco mais do que um passeio controlado, o segundo ameaça ser uma realidade mais cedo do que esperado.

Mourinho já fizera história ao conseguir sagrar-se campeão no seu primeiro ano em solo de Sua Majestade, algo que nem Ferguson nem Wenger conseguiram. Mas como o próprio admitiu, o verdadeiro desafio é fazer do Chelsea uma equipa ganhadora ano após ano, e em Inglaterra o bi-campeonato não é algo fácil de atingir. Mas tendo em conta o início de temporada que a equipa tem realizado, e sabendo que as equipas de Mourinho têm tendência para uma subida gradual de rendimento, parece cada vez mais certo que o treinador português vai conseguir ultrapassar as probabilidades.

Podem chamar-lhe arrogante e convencido, mas a verdade é que Mourinho é o melhor! Goste-se ou não.

Foto: GettyImages

A verdade nua e crua: adenda



As preocupações manifestadas por Adriaanse não se remetem apenas ao futebol português, mas sim a um problema que começa a espalhar-se um pouco por toda a Europa como as declarações de Arséne Wenger demonstram. Os adeptos são o alvo e o suporte da indústria futebolística e merecem respeito por parte dos seus intervenientes, com especial destaque para os treinadores que têm que perceber que para além de ganhar, os verdadeiros adeptos gostam de futebol emocionante onde o golo seja a principal preocupação das equipas em confronto. Sem adeptos, não há desporto!

Ainda a este propósito, recomendo a leitura
deste post no também de si recomendável All Things Footie que podem encontrar na lista de Blogs Internacionais à direita.


A verdade nua e crua

domingo, setembro 18, 2005

Co Adriaanse


As declarações de Adriaanse causaram polémica, como era suposto causarem, mas como não podia deixar de ser neste país onde a inveja e a hipocrisia reina não pelos motivos correctos. O técnico holandês disse apenas a verdade que está à vista de todos, mas para a qual se olha pelo canto do olho com a renovada esperança de que amanhã ela já não estará lá. Se tiver, assobia-se para o lado e continua-se a ignorar. O que não faltou foi quem criticasse Adriaanse, começando desde logo pelos jornalistas que se sentiram ofendidos no seu "brio" professional, que todos sabemos ser nenhum. Mais surpreendente é navegar pela blogosfera futebolística nacional e verificar que não falta quem partilhe da opinião dos "ofendidos", o que prova que os problemas do futebol português são apenas uma extensão dos problemas do país: apatia e conformismo.

Para o adepto português o que interessa é ouvir alguém como Koeman a bajular a qualidade defensiva das equipas portuguesas, a mesma que esse adepto chama de anti-jogo quando a sua equipa é penalizada por essa enorme "virtude" do futebol em Portugal. A verdade é dura, e quando é alguém de fora a dizê-la dói ainda mais. De todos os argumentos idiotas que por aí andam para tirar crédito a Adriaanse o facto de ainda não ter conquistado qualquer título é o que mais demonstra a incapacidade intelectual da maioria das pessoas que o usam; pelos vistos é preciso ganhar algo para se poder falar. Espero que esses mesmos críticos se abstenham de comentar o que quer que seja sobre futebol daqui em diante porque não me parece que alguma vez tenham sido campeões.

Igualmente cómico é o argumento de o futebol português ser melhor do que o holandês porque Portugal estar melhor do que a Holanda no ranking da UEFA. Claro que posso contrabalançar com um ranking também: Portugal é nono na ranking da FIFA, a Holanda segunda atrás do Brasil. Também podia responder que ao contrário de Portugal, a Holanda já foi Campeã da Europa ou que o Ajaz tem mais títulos europeus que o futebol português; mas isso seria cair na cretinice de quem utiliza tais argumentos para mascarar as evidências.

As declarações de Adriaanse constitiuem uma oportunidade perfeita para se levar a cabo uma discusão profunda sobre os problemas do futebol português, e a difusão dos blogs nacionais sobre futebol permite que mais do que nunca os adeptos, que seriam os principais beneficiários de uma tal mudança, consigam ter voz no assunto. Mas, como é normal neste país, é mais uma oportunidade desperdiçada nas intrigas e invejas do clubismo acéfalo da maioria nacional.

Numa conferência de imprensa Adriaanse fez mais pelo futuro do futebol português do que qualquer um dos seus críticos em toda a vida. Mas é mais lucrativo dizer que foi um acesso de fúria de alguém em desespero!

Jornalismo à portuguesa

sábado, setembro 17, 2005



Aquilo que Adriaanse disse sobre os jornalistas desportivos portugueses é a mais pura realidade: o interesse no futebol é zero, a precupação em encontrar casos e em inventá-los quando não existem consome demasiado tempo que não pode ser desperdiçado em coisas tão triviais como falar do desporto em si. Os editoriais assim o exigem!

Desconto de Tempo #4

sexta-feira, setembro 16, 2005


Em semana de competições europeias fica difícil falar de outro assunto. As equipas portuguesas tiveram uma boa prestação em termos globais, saldando-se os jogos em 3 vitórias, 2 empates e 1 derrota; o que é francamente positivo já que há sempre uma tendência para desperdiçar os pontos acumulados em épocas anteriores. Raramente partilho do entusiasmo patrioteiro no que a um maior número de vagas para equipas portuguesas concerne, e esta minha falta do dito entusiasmo prende-se com a incapacidade da maioria das equipas em lidar com as exigências do futebol internacional. Penso no entanto que este ano as coisas podem ser ligeiramente diferentes e que o prestígio das equipas portuguesas na Europa se alicerce não só no poderio passado ou nas prestações do FC Porto que, goste-se ou não, têm sido o principal sustentáculo para o ranking nacional com as notáveis excepções da caminhada do Boavista há 3 temporadas e do Sporting na época transacta. Assim, no Desconto de Tempo de hoje vou fazer uma pequena avaliação do que espero das equipas nacionais para esta temporada, tendo já em conta as prestações desta semana.



FC Porto - apesar da frustrante derrota em Ibrox, os dragões têm todas as possibilidades, bem como o dever, de passar à fase seguinte. É claramente melhor equipa que os escoceses, enquanto o Artmedia não parece constituir dificuldade. Embora em fase de construção, e ainda com muitas arestas por limar, Adriaanse tem material humano que lhe permite construir uma equipa forte e de praticar futebol atraente. A defesa tem sido muito criticada mas penso que grande parte da responsabilidade tem de ser imputada à falta de concretização, e à falta de apoio do meio-campo nas tarefas defensivas, sendo que esta última questão terá de ser Adriaanse a resolver. Ainda assim o mínimo que se espera é uma presença nos oitavos-de-final, embora considere que tenha uma real possibilidade de atingir os quartos-de-final.

SL Benfica - o Benfica conseguiu o mais importante contra o Lille: uma vitória e 3 pontos. A exibição não foi desagradável mas mostrou debilidades na equipa que nada têm a ver com o sistema táctico que Koema queira implementar. A equipa tem pouca ou nenhuma experiência de Champions League e isso ficou demonstrado nos primeiros 25 minutos de jogo onde o ritmo imposto na execução das tarefas ofensivas foi demasiado elevado, ficando a sensação de que os jogadores actuavam mais com o intuito de apagar a má imagem dos jogos anteriores do que a pensar naquele jogo em concreto. Valeu ao Benfica que Puel tenha escalado um onze demasiado "curto" que não lhe permitiu sair em contra-ataque de forma rápida e concisa, caso contrário as várias perdas de bola na zona do meio-campo poderiam ter sido fatais para o Benfica; trata-se de uma situação que Koeman terá de corrigir pois Man Utd e Villareal não actuarão na expectativa. Apesar da vitória, não acho que o Benfica tenha a profundidade de plantel suficiente para ombrear com espanhóis e ingleses, sobretudo na perda de jogadores-chave, pelo que o terceiro lugar seja um objectivo perfeitamente razoável.

Sporting - a vitória fora sobre o Halmstads prova que dificilmente os leões não passarão à fase de grupos da UEFA. Uma vez aí presentes e tendo em conta que passam os 3 primeiros, duvido que Peseiro não leve os seus jogadores pelo menos até aos quartos-de-final da competição.

Sp. Braga - empatar fora é um resultado positivo, embora o 0-0 seja enganador pois um golo do Estrela Vermelha no Municipal de Braga pode complicar, e muito, as coisas. Mas a equipa de Jesualdo é hoje uma das mais maduras e realistas do futebol português pelo que estou convicto que passará esta e a próxima fase, sendo os 16avos-de-final o esperado para os arsenalistas.

V. Guimarães - a vitória sobre o Wisla, sobretudo por números tão claros, surpreendeu-me pela positiva e penso que terá selado a qualificação para a fase de grupos. O Vitória tem um plantel, e principalmente um treinador, inferior ao dos vizinhos minhotos, mas o estilo de jogo que Pacheco incute nas suas equipas costuma dar bons resultados nas competições europeias pelo que também uma presença nos 16avos-de-final seja um resultado positivo.

V. Setúbal - desde logo era a equipa com tarefa mais complicada, e a verdade é que empatar 1-1 em casa preconiza a eliminação sadina. Ter que jogar ao ataque em solo transalpino é entregar as armas ao inimigo e só com muita surpresa a Sampdória deixará de passar à fase seguinte.

Azia escocesa

quarta-feira, setembro 14, 2005
Tenho de ser sincero e admitir que a derrota do FC Porto ontem em Ibrox me deixou realmente mal disposto. É daqueles jogos que olhando em retrospectiva é difícil explicar como se perde, ou melhor, como não se ganha. O Porto é melhor equipa que o Rangers, e ontem provou-o; mesmo assim foram os escoceses a fazer a festa. Os dragões perderam devido a 3 erros defensivos (independentemente da falta no 2º golo), e devido a inúmeros erros ofensivos; algo que tem sido uma constante neste início de época. Já li muito gente a criticar Adriaanse pelas suas escolhas, a maior parte delas verdadeiramente absurdas, mas uma é tão óbvia como correcta: Sokota não pode ser titular, ponto final parágrafo. Nada melhor que rever a actuação do croata ontem para perceber o porquê, não há necessidade de ocupar mais espaço com isso.

A entrada de Pepe é justificada por 3 motivos: 1) é mais alto e joga melhor de cabeça do que Sonkaya; 2) é mais rápido que Sonkaya, não que isso seja difícil ou que Pepe seja um velocista; 3) permitiu à equipa actuar com 3 homens atrás quando César Peixoto, e bem, subiu no terreno. Pepe tem apenas culpa directa no terceiro golo, e de resto não foi dos piores em campo, embora não tenha sido dos melhores. Mais discutível a ausência de Lisandro, embora seja preciso não esquecer que o jogador esteve lesionado a semana passada, tendo-se duvidado da sua utilização frente ao Rio Ave, não sendo certo que estivesse nas melhores condições. E certamente não foi por Alan que o Porto não ganhou.

Mas há de facto coisas a melhorar, sendo a organização defensiva a mais premente. Claro está que sem um goleador, a avalanche ofensiva dos portistas dificilmente servirá para alguma coisa mais do que prolongar o meu estado de azia. É que mesmo sem Sokota, Hugo Almeida não é aposta segura e Postiga não sabe onde fica a baliza. A solução McCarthy era a óbvia não fosse o boicote do sul-africano, sendo interessante saber como Adriaanse irá resolver a questão a partir de agora. Pessoalmente, espero que Bruno Moraes fique em forma rapidamente e se adapte à equipa, já que acredito que as suas características são ideias para o estilo de jogo do FC Porto.

Ainda assim não posso deixar de estar confiante na passagem da equipa à fase seguinte, sobretudo pela força mental demonstrada ao recuperar de duas desvantages e de ter ficado perto de anular uma terceira com menos um homem em campo. O Rangers é inferior, o Artmedia pouco mais pode fazer (pelo menos se o que exibiu frente ao Inter for o seu melhor) do que perder a lutar, e se o Inter jogar como contra o Palermo e o Artmedia está claramente ao alcance dos azuis-e-brancos (claro que Adriano pode acordar bem disposto e aí...). 3 vitórias em casa, uma fora na Eslováquia é igual a 12 pontos e oitavos-de-final; até porque acho que o Rangers não passa em Bratislava.

Aí está a Champions

segunda-feira, setembro 12, 2005
Inicia-se amanhã a Champions League 2005/06. A Champions é de longe a mais importante competição de clubes do mundo, é onde a nata do futebol mundial se concentra. Esta é a competição que todos os clubes e treinadores querem ganhar, que todos os jogadores querem jogar. Amanhã, por essa Europa fora milhares de adeptos vão sentir aquele arrepio na espinha tão característico do hino da prova mais emblemática da UEFA.

São 5 as equipas que fazem este ano a sua primeira aparição no mais alto palco de (Villareal, Bétis, Thun, Artmedia e Udinese). O objectivo é o de estar presente a 17 de Maio no Stade de France e se possível levantar o caneco, um sonho apenas ao alcance de alguns.

Bayern Munique, Juventus, Ajax, Barcelona, Manchester Utd, Benfica, AC Milan, PSV, Real Madrid, Liverpool, Inter Milão e FC Porto. São 12 as equipas que já se sagraram campeãs da Europa e que podem voltar a fazê-lo esta temporada, mas sempre pode ser desta que Arsenal ou Chelsea chegam ao tão ambicionado título. Ou quem sabe se não há uma surpresa.

Para ajudar os mais distraídos, fiz um pequeno guia com a informação essencial sobre as equipas que constituem os grupos. Divirtam-se:


Grupo A| Grupo B| Grupo C| Grupo D| Grupo E|Grupo F| Grupo G| Grupo H

Desempenho de fim-de-semana

domingo, setembro 11, 2005
Fazendo uma curta análise aos técnicos dos 3 "grandes" até ao momento, parece mais que certo que Adriaanse é aquele que tem tido um maior impacto e o que para já tem demonstrado melhor trabalho. A vitória de ontem provou que o técnico holandês do FC Porto não tem medo de assumir riscos e de se lançar em busca da vitória deitando mão a toda a artilharia pesada que dispõe. Mas o mais importante deste fim-de-semana para Adriaanse foi a forma como resolveu o affair McCarthy, mostrando que o grupo está acima de qualquer jogador e que as regras impostas são para se cumprir. A relação com o sul-africano pode ficar complicada, e o clube precisa de um Benni em forma, mas o respeito do grupo pelo treinador sai certamente reforçado, uma imagem que pôde ser confirmada ontem nos festejos do segundo golo portista.

Peseiro continua na senda da época passada: a equipa troca bem a bola, é coesa mas... dá sempre a sensação que o treinador não confia nas capacidades dos seus jogadores e vice-versa. O Sporting ontem não foi capaz de dar o golpe final a um Benfica moribundo e desnorteado, não conseguiu pegar no jogo frente a 10 homens e permitiu que uma réstea de esperança sorrisse aos benfiquistas no final da partida; isto numa partida que podia e devia ter ganho mais facilmente.

Já Koeman continua a dar razão a Adriaanse quando o apelidou de menos audaz. As estampas noticiosas continuam a mascarar de 3-4-3 um sistema táctico que não passa de um medroso 5-2-3, que em nada está relacionado com o potencial e as ambições da equipa. Nem Nélson nem João Pereira, e este muito menos, são o que os ingleses designam de wing-backs, jogadores que fazem todo o corredor em tarefas ofensivas e defensivas. Koeman resolveu apostar num duo de meio-campo quando esta é a posição para a qual o Benfica tem mais e melhores opções, mostrando não só má leitura do plantel que tem à sua disposição como, sobretudo, um estudo fraco e/ou errado do adversário que todos sabem ter no seu quarteto de meio-campo a base estrutural de todo o seu jogo. As coisas começam a ficar complicadas para o ex-internacional holandês e o Lille não vai ser pêra doce.

E para terminar apenas um elogio já gasto para Jesualdo Ferreira que tem calado muito gente que o dava como inapto para a tarefa; sendo eu uma dessas pessoas que não acreditava que o Professor fosse capaz de dar conta da tarefa. Se tivesse chapéu tirava-o!

Desconto de Tempo #3

sexta-feira, setembro 09, 2005
1. Depois de uma jornada dupla de qualificação para o Mundial da Alemanha, a Ucrânia é a única equipa europeia (anfitriã à parte) que garantiu o seu passaporte directo para solo germânico. É bom saber que Shevchenko, um dos melhores avançados do Mundo e não apenas do presente, vai poder estar presente num grande palco, juntamente com Rebrov, Voronin, Shovkovsky... Blokhin provou que é mais do que a lenda de um dos melhores extremos do futebol mundial!

De facto, parece que estamos numa fase de reaparecimento de algumas potências que se foram perdendo com os tempos. A vizinha Rússia começa a apostar numa nova fornada de jogadores capazes de recuperar o prestígio perdido, isto claro se o futebol doméstico estabilizar. Também a renascer está o futebol balcânico, com as herdeiras da ex-Jugoslávia (que saudades de Pancev, Boban, Savicevic e demais) a provarem que ainda não se perdeu toda a magia de quem já foi considerado o Brasil da Europa. Sérvia e Montenegro lidera o grupo 7 onde a Bósnia é terceira a um ponto de Espanha; já a Croácia é segunda no grupo 8 com menos um ponto que a Suécia.

2. Portugal já lá podia estar tivesse jogado para ganhar em Moscovo; infelizmente o empate foi motivo de contentamento. De qualquer forma, estamos a um ponto apenas o que significa que já lá estamos porque se não empatarmos, pelo menos com Liechtenstein e Letónia em casa não merecemos ir ao Mundial! Mas a atitude acomodada que a equipa apresentou frente à Rússia é motivo de preocupação: continuamos a viver dos louros de um Europeu que devíamos (e não podíamos!) ter ganho, sem ter defrontado uma equipa de grande valor desde então, o que pode dar-nos ideias de grandiosidade que se calhar não temos. Espero que a planificação dos amigáveis para o próximo ano tenha isso em conta.

3. De regresso, a Liga conta neste 3ª jornada com 3 embates interessentes: o derby minhoto entre V. Guimarães e Sp. Braga; a recepção do FC Porto ao Rio Ave; e um outro derby, este da capital, entre Sporting e Benfica.

Em Guimarães, por mais que diga que está satisfeito, Pacheco sabe que a margem de manobra está a decrescer, e nada pior do que uma derrota com um Sp. Braga claramente superior; Jesualdo pode ter perdido duas peças importantes, mas o motor não me parece que vá sair muito afectado. O meu progóstico: vitória do Braga ou empate, depende se prevalece o futebol ou as artes marciais.

No Dragão vai haver um embate entre líderes, sendo que o Rio Ave é (mais uma vez) uma surpresa pois poucas são as equipas que perdendo um técnico que foi o seu principal suporte durante anos se mantêm coesas e a jogar bem. Prognóstico: vitória do FC Porto, e um bom espectáculo.

O Benfica não pode perder. Tão simples quanto isto. Não há campeões à 3ª jornada, mas 8 pontos de atraso em 3 jogos é muito, e psicologicamente é ainda mais. Karagounis não deverá jogar (eu não o colocaria, a menos em caso de desespero) até porque não conhece os colegas, já Miccoli é aposta segura no ataque. Peseiro conta agora com 2 extremos, o que lhe poderá permitir apostar num 4-3-3 que possa aproveitar a indecisão quanto ao sistema defensiva a utilizar até agora demonstrado por Koeman. Prognóstico: vitória do Sporting ou empate.

Quer sair venda-se... em Janeiro!

quarta-feira, setembro 07, 2005
McCarthy tem ocupado grande parte das capas dos jornais desportivos deste Verão; o motivo é sempre o mesmo: quer sair do FC Porto e rumar à Premier League. O clube não importa, desde que seja inglês. Acho que Benni tem todo o direito a aspirar jogar num campeonato tão aliciante como o inglês, não tem é o direito de querer assumir o papel de vítima indefesa perante a opressão do seu empregador. Ao contrário do que jogador e empresário afirmam, não é o FC Porto que deve o que quer que seja a McCarthy, mas sim este que deve ao clube o facto de ainda estar na alta roda do futebol europeu, de não ter caído no esquecimento como mais uma promessa que nunca se cumpriu.

McCarthy chegou ao clube por empréstimo quando não era opção em Vigo. Em pouco mais de meia-época, conquistou adeptos e treinador passando a ser uma das exigências de Mourinho para a temporada seguinte. Apesar das tentativas de clube e do próprio jogador, Benni permaneceu mais uma época a penar no banco de suplentes do Celta, até que no final da temporada Porto e Mourinho voltaram a mostrar confiança nas suas capacidades e requisitaram os seus serviços para o Dragão. McCarthy correspondeu às expectativas e tornou-se o melhor marcador da Superliga e ajudou o clube a tornar-se campeão europeu. Com a saída de Mourinho, começaram a surgir os problemas disciplinares, passando o sul-africano grande parte da temporada de fora a cumprir castigos. Ainda assim, adeptos e clube mostraram confira em pleno no jogador.

A forma como McCarthy resolve "pagar" o capital de confiança nele investido foi a de passar dia sim, dia não a dizer publicamente que não está satisfeito e que quer sair. Mais uma vez a SAD mostrou-se paciente com o jogador, sem no entanto descurar os interesses do clube. O comportamento da SAD no processo foi exemplar já que cumpriu o contrato como estipulado, sem 9 milhões de euros até final de Julho nada feito. Quando eles apareceram, no último dia de transferências, e tendo o direito de recusar, a SAD fez o que era esperado e não hipotecou o rendimento desportivo do clube para satisfazer as birras do atleta. McCarthy, para não variar, lá se queixou que lhe estavam a cortar as pernas...

A verdade é que já estou farto das queixas de um atleta que sempre foi defendido por adeptos e clube, mesmo quando não o merecia. A SAD portista tem de o vender e rápido, para garantir uma boa margem de lucro. Janeiro é a altura ideal para deixar sair McCarthy, até porque esta época vai haver nova CAN e não me parece que sendo convocado, McCarthy renuncie. Assim sendo, o FC Porto irá correr o risco de pagar salários a um jogador que estará de fora da competição cerca de um mês ou mais.

O período que agora se segue até à reabertura do mercado de transferências será uma boa oportunidade para avaliar o mercado na procura de um outro jogador para ocupar a vaga de McCarthy; isto tendo em conta que os restantes 3 avançados do plantel (Postiga, Sokota e H. Almeida) terão de provar que não é preciso mais nenhum jogador para a posição, e não esquecendo que Bruno Moraes já estará disponível, ou que Lisandro é sempre uma alternativa, até porque Andersson já fará parte do plantel.

Ainda assim, e como contributo pessoal, sugiro que Adriaanse vá observando Marcel (Académica), Elmander (Brondby) e Cavenaghi (Spartak Moscovo). É sempre bpm ter alternativas prontas para o que der e vier.

Queixas

segunda-feira, setembro 05, 2005
Maniche queixa-se da vida em Moscovo: do campeonato que é fraco; dos russos que não gostam de estrangeiros; do clima que é frio; do ordenado que é elevado... Bem do ordenado nem por isso, mas do resto o homem queixa-se. Diz-se desiludido com o que encontrou na Rússia. Mas afinal o que é que ele esperava? Um campeonato competitivo e dos melhores da Europa? Um clima tropical? Para a próxima que pense efectivamente com o orgão com que a natureza o dotou para tal (o cérebro!!!) e não com a carteira!

Desconto de tempo #2

sexta-feira, setembro 02, 2005
1) Os últimos dias da janela de transferência foram marcados por movimentações em quase todos os clubes da Liga, com o especial destaque para Porto, Benfica e Sporting. Estas contratações ou vendas de última hora deixam-me sempre de pé atrás, porque dão sempre a sensação de se tratarem de segundas ou terceiras escolhas cujo preço sofreu de um síndrome de crescimento acelerado.

Assim, existe sempre a possibilidade de se garantir um bom negócio, vendendo ao preço do petróleo, ou ter que abrir os cordões à bolsa porque as alternativas rareiam. O Sporting, via Barca, conseguiu incluir-se nestas duas categorias: a venda de Rochemback para o Middlesbrough, permitiu um encaixe financeiro avultado tendo em conta que a partir de Janeiro estaria livre para negociar; por outro lado, as compras de Wender e João Alves obrigaram o Sporting a despender mais do que intencionava. No cômputo geral, os leões saíram claramente a ganhar, Rochemback há muito que mostrava sinais de displicência, e os ex-bracarenses chagam a Alvalade com vontade de provar o seu valor.

No Benfica surgia dois internacionais de qualidade e por pouco dinheiro, embora nem Miccoli nem Karagounis sejam ponta-de-lança ou Nº 10. A possível saída de Simão pareceu mais um golpe de teatro do que outra coisa qualquer. Desportivamente pode ter sido um grande negócio (o rendimento do capitão demonstrará se sim ou se não); financeiramente foi um erro monumental. A ser verdade que chegaram a estar na mesa 18 milhões de euros, a SAD encarnada perdeu uma oportunidade de ouro para fazer um encaixe vital, e muito dificilmente repetível.

Quem recusou também a saída de um peça importante do plantel foi o FC Porto ao gorar, mais uma vez, a saída de McCarthy para a PremierLeague. Desta feita, o West Ham chegou a oferecer o valor da cláusula de rescisão do jogador (9 milhões), mas esbarrou na intransigência de Adriaanse em deixar sair o seu melhor (único?) ponta-de-lança. Aqui a opção pelo desportivo justifica-se pela impossibilidade de encontrar um substituto a tempo, e sobretudo porque 9 é metade de 18. Os dragões contrataram entretanto o lateral-esquerdo eslovaco Marek Čech, para suprir a falta de alternativas para a posição (até porque Leandro já foi de malas aviadas para o Brasil). Curioso que o jogador que já a época passada devia ter ocupado esse lugar, foi agora emprestado ao Sp. Braga. Falo naturalmente de Rossato, um dos maiores erros da SAD portistas dos últimos anos.

2) Com o fim das transferências, chega também o fim das capas de jornal cobertas com contratações mirabolantes, pseudo-craques de chegada. Daqui resulta a necessidade da habilidade para criar notícias dos jornalistas desportivos lusitanos ter de fazer horas extraordinárias para colocar fora de contexto um frase inofensiva transformando-a no anúncio da chegada do Anticristo, ou para fazer a cobertura de um emocionante jogo de matraquilhos entre dois “craques”. A “silly season” pode ter acabado para a maioria da sociedade, mas para os jornais desportivos temo que esteja apenas a arrancar.

3) o Sport Comércio e Salgueiros acabou com o futebol profissional. Cai assim um dos históricos do futebol português, vítima da má gestão desportiva dos seus dirigentes. É triste que tal suceda ao clube como o Salgueiros; mais triste ainda é os culpados saírem impunes.