Lugar Cativo

"A melhor defesa é o ataque" Hugo Meisl

O choradinho do costume

sábado, julho 30, 2005
Peseiro foi talvez aquele que melhor encarou o resultado do sorteio da 3ª pré-eliminatória. Um sorteio que se pode considerar negativo para o Sporting, apenas porque havia equipas mais frágeis do que a Udinese. Convém no entanto que se diga que esta equipa italiana não é o bicho-papão, nem sequer é uma das melhores equipas transalpinas. É melhor do que a maioria dos possíveis adversários dos leões, mas é pior do que o Sporting.

Há sempre quem faça de tais sorteios uma tragédia e enalteça as virtudes que os adversário não têm; de repente vem-me à memória os elogios disparatados a Newcastle e Middlesbrough na caminhada do Sporting até à final da Taça UEFA, como se tratassem de grandes equipas europeias, os "tubarões" como Mourinho um dia apelidou tais equipas. Os jornalistas portugueses raramente se dão ao trabalho de verificar o historial dessas equipas, e muito menos o momento presente. Nos casos referidos, o Newcastle estava pela ruas da amargura e o Middlesbrough é uma típica equipa inglesa de meio da tabela e com pouca qualidade. Mas parece difícil de fugir ao cliché de endousar os clubes ingleses...

Não quero com isto dizer que o Sporting tem uma tarefa simples, porque não tem; mas esta Udinese não é a da época passada, até porque saiu Spaleti e jogadores importantes como Jankulovski ou Pizarro. Contratou um bom treinador que escapa ao típico italiano, Serse Cosmi, e continua a ter uma equipa consistente que pode surpreender. Mas o Sporting tem de ser melhor, tem de superar esta Udinese e afirmar-se a nível europeu. Já chega de ir para a Europa com medo e sair com o "rabo entre as pernas" e vitórias morais. Nos últimos 3 anos o futebol português esteve em grande a nível internacional, um trabalho que não pode ser perdido com a repetição do que se passou nos últimos anos da década de 90.

Brasileiro dixit

quarta-feira, julho 27, 2005

Três ex-jogadores do FC Porto (2 ainda ligados contratualmente ao clube) iniciaram nos últimos dias uma cruzada contra treinadores, filosofias e até mesmo o futebol português e o holandês na procura de encontrar bodes expiatórios para os seus falhanços. Léo Lima, coadjuvado pelo seu novo técnico no Santos (Alexandre Tadeu Gallo), criticou as escolhas de Adriaanse e o futebol holandês, ele que já tinha criticado Couceiro quando regressou de férias. O representante de Leandro do Bomfim escolheu o técnico holandês como seu alvo de eleição acusando-o de ceder a pressões vindas do seu país natal. Fabiano, que parece ter encontrado de novo os golos na pré-época do Bétis, acusa Couceiro de não apostar nele e define o futebol que se pratica em Portugal como sendo de “chutão e porrada”.

A dispensa do plantel azul-e-branco por não se enquadrar no sistema de futebol simples e rápido de Adriaanse fizeram Léo Lima explodir em críticas aos métodos holandeses, diminuindo mesmo o contributo oriundo desse país para o futebol mundial, tarefa em que contou com a preciosa ajuda de Alexandre Tadeu Gallo. Para estes dois senhores a Holanda nada tem a ensinar aos brasileiros por 5 vezes campeões mundiais, e perguntam mesmo: afinal o que é que a Holanda deu ao futebol? A resposta é simples e pode ter várias vias: das melhores equipas de todos os tempos, senão as melhores (Laranja Mecânica de ’78 e de ’88); um dos melhores jogadores de sempre (Cruyff); provavelmente o melhor ponta-de-lança de sempre (Van Basten); e o mais belo e admirado estilo de jogo de sempre, o Futebol Total”criado” por Rinus Michaels um dos melhores treinadores de sempre. Mas como nunca foram campeões do mundo…

Claro que nem Gallo nem Léo Lima o foram, mas foi o seu país logo também eles serão superiores aos holandeses. Incrível é que pelos vistos só mesmo Léo Lima parece ter acreditado que faria parte do elenco de Adriaanse, ele que chegou ao Porto a exigir mais disciplina nos treinos e acabou por ser ironicamente a primeira e mais mediática vítima da mão de ferro do técnico holandês. Ele que não rendeu na Bulgária, e que no Marítimo não foi imprescindível, chegou ao Porto pela mão de um treinador que saiu logo de seguida quando o alvo da direcção era outro brasileiro, Jorginho no caso. A prova de que Léo Lima não se adaptou ao futebol português, ao contrário do que o mesmo afirma, é que acabou por regressar ao Brasil, e dificilmente para cá regressará.

Já o caso de Bomfim é diferente. De acordo com o seu representante a sua dispensa deve-se não à sua qualidade mas ao facto de Adriaanse estar a defender os interesses holandeses castigando Bomfim por ter saído em litígio do PSV. Não só acusa Adriaanse de ser uma pessoa rancorosa, como o acusa de ser mau profissional pois ao invés de defender os interesses de quem lhe paga, contenta-se em agradar a quem nada deve. Para o caso não parece contar o facto de Bomfim ter a concorrência de Diego, internacional brasileiro, Jorginho, um dos melhores do passado campeonato, ou Postiga, internacional português; bem como o facto de também ele não ter sido aposta de Couceiro na época passada. O jogador parece apostado em regressar ao clube, e eu, bem como muitos adeptos portistas, também o desejam por acreditarmos no potencial de Leandro, pelo que espero que seja emprestado a um clube europeu, de preferência português. Agora era desnecessário assistir a tamanha idiotice por parte do seu representante que só o prejudica caso Adriaanse permaneça no clube por alguns anos.

Fabiano foi uma das grandes apostas da passada temporada, bem como o maior fiasco. Chegou rotulado de “Fabuloso” e de goleador; saiu com 3 golos apontados e com uma série de exibições paupérrimas. É verdade que esteve lesionado e que teve que passar um período complicado aquando do rapto da mãe, algo que condiciona o desempenho de qualquer pessoa, mesmo tendo o apoio dos colegas e da direcção do clube, como o próprio afirma. Não são no entanto justificações para todas as más exibições e falhanços de Fabiano que se escuda na falta de oportunidades que lhe foram dadas por Couceiro e na falta de qualidade do futebol português. No primeiro caso, culpa nenhuma terá Couceiro de McCarthy e Postiga (esta somente na fase final da temporada) terem estado melhores do que Fabiano sendo portanto as escolhas razoáveis para a equipa. No segundo argumento, “meia razão” pode ser dada a Fabiano já que de facto o futebol que se pratica em Portugal é de fraca qualidade em termos médios; mas não seria a falta de qualidade um argumento para um desempenho acima da média de Fabiano? E como explicar as mesmas más exibições na Champions League que é a melhor competição de futebol a nível mundial, onde estão presentes os melhores jogadores do mundo? Fabiano devia ter-se contentado em justificar o seu mau desempenho com as lesões e o rapto da mãe e não encontrar bodes expiatórios onde eles não existem.

A imagem do jogador brasileiro está em claro declínio no futebol português, isto apesar das hordas que todas as épocas vão chegando. Mais do que uma oportunidade de trazer potencias craques para o país, os adeptos encaram cada vez mais estas apostas como falhas directivas e situações perturbadoras do ambiente no balneário de uma equipa. Cada vez mais, os jogadores brasileiros são vistos como indisciplinados e pouco profissionais, o que não corresponde à verdade para a maioria destes. É um facto que nem todos são craques, muitos são mesmo um fiasco, mas não são no geral nem mais nem menos insubordinados do que os outros.

Torneio de Amesterdão

terça-feira, julho 26, 2005

O FC Porto disputará o prestigiado Torneio de Amesterdão que este ano contará, para além dos portistas, com a presença do Ajax (clube organizador), Arsenal e Boca Juniors. O torneio holandês vai para a sua sétima edição, tendo contado sempre com a presença de equipas ilustres. O Ajax são a equipa com mais títulos tendo conquistado as últimas 4 edições; para além dos "lanceiros" venceram o torneio a Lázio (1999, primeira edição) e o Barcelona (2000). Enquanto que FC Porto e Boca Juniors fazem a sua estreia na competição, os vice-campeões ingleses regressam depois de em 2000 terem terminado na última posição.

Na boa tradição holandesa, o futebol ofensivo é recompensado pela atribuição de um ponto extra por cada golo marcado; desta forma, e apesar de cada equipa disputar apenas 2 jogos, é possível vencer o torneio mesmo perdendo um dos jogos.

Humor holandês

A campanha do AZ Alkmaar sob o comando de Co Adriaanse na época passada chegou a alimentar o sonho do título para os adeptos do clube holandês. O trabalho do técnico holandês foi considerado um pequeno milagre como podem ver em algumas das montagens neste site. Pena os textos estarem quase todos em holandês...

Produto inacabado

sexta-feira, julho 22, 2005
Durante o dia de ontem falou-se na possibilidade de Quaresma engrossar o já vasto contingente português do Dínamo de Moscovo a troco de uma verba a rondar os 8,5 milhões de euros; hoje consta-se que o FC Porto recusou a proposta pretendendo manter o jogador no plantel. Uma decisão ajuizada, na minha opinião, em termos desportivos e financeiros para o clube e em termos de progressão para Quaresma.

O extremo saiu das escolas de Alvalade como um "produto inacabado" sendo incapaz de conciliar a sua capacidade técnica com os ideiais de um desporto colectivo, à semelhança do que aconteceu com Cristiano Ronaldo. A diferença que hoje se constata existir entre os dois, a favor de Ronaldo, deve-se a este ter começado a jogar mais em prol da equipa do que em busca de embelezar as jogadas. Uma diferença que se deve sobretudo à orientação que os dois jogadores tiveram desde que saíram de Alvalade.

Enquanto que Quaresma foi para um Barcelona a precisar de títulos e de novos ídolos, orientado por um excelente treinador mas sem grande apetência para a formação de jovens. Em Camp Nou não havia nem tempo nem paciência para os malabarismo do "cigano". Já Ronaldo saiu para a equipa que, a par do Ajax, têm a melhor política de aposta em jovens estrelas em ascensão. Sob os comandos de Alex Ferguson despontaram alguns dos melhores jogadores da Europa e aí Ronaldo foi capaz de equilibra a vertente colectiva com a individual.

Já Quaresma teve que sair de Barcelona para progredir na carreira, acabando por ter o azar de chegar a um Campeão Europeu em convulsão, e com treinadores com pouco tempo para aquecerem o lugar. A chegada de Adriaanse, que liderou a formação do Ajax e que é conhecido pelo seu papel de "professor" de novos talentos, pode significar para Quaresma o verdadeiro descolar da sua carreira, potenciando todas as suas qualidades. Com isto ganha o jogador, ganha o clube desportivamente (e convém não esquecer que apesar das críticas Quaresma foi dos menos maus a época passada) e financeiramente, até porque estamos em ano de Mundial.

Basta Quaresma querer!

Para pensar...

quinta-feira, julho 21, 2005
Vão aqui e procurem o post "Café com leite à moda da Segunda Circular". Dá que pensar...

Dar o exemplo

terça-feira, julho 19, 2005
Primeiro levou uma sonora e pública reprimenda no meio de um treino, de seguida foi dispensado do estágio antes do seu fim. Não parece haver grande dúvida que Léo Lima seguiu para a Holanda com o propósito (não dele) de seguir de exemplo para o resto do plantel!

Dificilmente o brasileiro fora considerado para permanecer na equipa depois de ter desiludido no meio ano que passou no Dragão e perante a concorrência de Diego, Jorginho e Leandro do Bomfim. Sendo a sua falta de aplicação nos treinos e a sua displicência táctica conhecidas da direcção, não me parece crível que Adriaanse estivesse de facto a testá-lo. Léo Lima permaneceu enquanto foi útil para serem delineadas as fronteiras pelo técnico holandês, depois da reprimenda pública pouco mais tinha a acrescentar ao plantel podendo assim delinear o seu futuro mais rapidamente.

O autarca comentador

segunda-feira, julho 18, 2005
Ontem tentei assistir ao Benfica - Chelsea para a Samsung Cup (mas qual é a mania de qualquer joguito amigável ter direito a uma taça?), mas foi um esforço infrutífero. E desta vez não foi a natural falta de ritmo de um jogo de pré-época, ou as quebras provocadas pelas avalanches de substituições que me fizeram desisitir. O grande problema foi o atentado às transmissões televisivas de futebol protagonizado pela SIC!

Ao indesfarçável benfiquismo do relatador, juntou-se um repórter de campo que para além de sofrer do mesmo mal (para um jornalista que se pretende que seja isento, entenda-se) tem tiradas fantásticas como a seguinte:

"A altura dos jogadores do Chelsea é mais alta do que a dos jogadores do Benfica!"

Agradecido pelo informação e pela erudição!

Mas a cereja no topo do bolo foi sem dúvida Fernando Seara no papel de comentador. Quem vê o progama Dia Seguinte na SIC Notícias, sabe que Seara pouco ou nada percebe de futebol jogado, quer em termos técnicos como em termos tácticos (tal como os seus colegas de programa), pelo que a sua escolha para comentar o jogo só se justifica pela incapacidade da SIC em arranjar alguém para fazer o serviço. Quanto a Seara, suponho que se tenha tratado de uma manobra para se "mostrar" ao eleitorado de Sintra.

E eu que pensava que era impossível fazer pior do que a TVI!!!

Outro sorteios e outros afins...

sexta-feira, julho 15, 2005
Lá foi realizado o primeiro grande momento orgasmático do jornalismo desportivo português. Falo claro do sorteio da Liga. É incrível como se consegue dizer tanto sobre nada.

Não assisti ao sorteio, limitando-me a ver os resultados no fim. Uma péssima decisão já que tive que levar com os comentários de Joaquim Rita, que ameaça seriamente a liderança de Gabriel Alves na arte de adjectivar superfluamente. Mas deste vez, não foi o excesso de adjectivação que me incomodou; foi antes o matraquear incessante sobre o cansaço que virá do facto de os clubes realizarem 3(?) jogos por semana. Desculpe?

Primeiro, que eu saiba, cada semana tem apenas um domingo; ora se os jogos se realizam numa sequência Domingo - Quarta - Domingo, estamos a falar de 2 jogos numa semana. Segundo, quando se abandona esta desculpa esfarrapada? Será que estes pseudo-comentadores têm noção que em alguns campeonatos existem jornadas duplas? E sem contar com as competições europeus! Devem ter jogadores extraterrestres ou mutantes...

Nomeações, Sorteios e Afins

O futebol português tem ciclos, já uma vez perguntei o porquê de mudar constantemente o nome das competições, e alguns desses ciclos devem-se à mudança da forma como os árbitros são designados para os jogos. Basicamente trata-se de uma perturbação bipolar da personalidade: ora se nomeia, ora se sorteia!

Vejamos como as coisas se têm passado:

- depois de um passado sempre turbulento com as suspeitas de favorecimentos, os clubes resolveram adoptar o sistema do sorteio (penso que na altura o FC Porto era o maior opositor). No entanto, não se optou pelo sistema de "sorteio puro" ficando-se pelo "condicionado;

- este modelo também não recolheu as benesses dos clubes e, enquanto FC Porto e Sporting clamavam pelo "sorteio puro", voltou-se ao sistema de nomeações, com Benfica e Boavista a unirem-se para que tal fosse uma realidade;

- a verdade é que, após um ano, são muitos os clubes apoiantes (entre os quais o Boavista) dessa decisão que querem o regresso ao sorteio depois de uma época em que a arbitragem foi pura e simplesmente miserável;

- o Benfica foi o único clube que se opôs a esta nova mudança, recolhendo mais tarde mais alguns (poucos) apoios.

E neste momento estamos todos à espera que os clubes se entendam e decidam o que fazer. Mas claro está que uma confusão à portuguesa só o é com "peixeirada", algo que os dirigentes dos nossos clubes resolveram fazer na última Assembleia da Liga. Vendo-se em clara desvantagem, os clubes que se opõem à mudança protelaram a decisão a respeito de questões menores que estavam em primeiro lugar na agenda de forma a impedir que fosse realizada a votação; como se tal não fosse suficientemente vergonhoso, Adriano Afonso, presidente da Assembleia Geral, resolveu adiar a decisão sem para tal consultar os clubes e numa altura em que a Académica apresentava uma proposta para que a votação fosse secreta. Apercebendo-se da oportunidade, alguns dos principais "defensores da nomeação" abandonaram a sala impedindo dessa forma que a Assembleia prosseguisse; entre os que abandonaram, destaca-se um que terá dito que quem o prejudica-se o teria como inimigo, o mesmo que em tempos afirmou ser mais importante ganhar lugares na direcção da Liga do que contratar bons jogadores.

Em tudo este figurino não podemos esquecer a figura de Luís Guilherme, presidente do Conselho de Arbitragem da Liga, que, numa das suas típicas ameaças anuais, afirmou que se demitia caso o sorteio fosse avante. O que me leva a perguntar o porquê de tanto medo dos clubes em deixar Luís Guilherme sair de uma vez por todas do futebol português, já que não descortino a falta que tal personagem possa fazer ao mesmo! Mas isso sou eu...

Que sou claramente defensor do sorteio, do "puro" livre dos condicionalismos que o fazem assemelhar-se a uma nomeação encapuçada. Se os árbitros são realmente de "primeira categoria" devem estar aptos a arbitrar os jogos da Superliga, sejam eles quais forem. A experiência de um árbitro não é, nem deve, ser garante de ausência de erros. O sorteio permite por outro lado eliminar as suspeições sobre que nomeia e o porquê das escolhas; embora não vá, muito certamente, eliminar as suspeitas sobre quem apita que é um problema congénito e hereditário...

Se outros motivos fossem precisos para mudar o sistema (não o "sistema", entenda-se), basta ver que o melhor árbitro-auxiliar em termos de desempenho no campo foi despromovido pelo seu desempenho num teste escrito; e que o "melhor árbitro" da época passada foi o mesmo que num decisivo jogo para o apuramento para as competições europeias na penúltima jornada expulsou de forma surreal o guarda-redes de uma das equipas.


P.S. Como podem reparar também alinhei na moda de não dizer o nome das pessoas, identificando-as claramente através das suas acções. É giro!

Pré-temporada

terça-feira, julho 12, 2005
Alguém me explica porque é que os comentadores televisivos fazem de cada jogo de pré-época uma final da Champions?

Allianz Arena

sexta-feira, julho 08, 2005
Algumas imagens de um dos palcos do próximo Mundial na Alemanha e seguramente um dos estádios mais belos do mundo, que tem na sua transmutação colorida um dos seus grandes atractivos.


Versão "Branca"


Versão "Vermelha"


Versão "Azul"



Vista aérea


O Estádio tem capacidade para acolher 66 mil espectadores


As imagens são todas retiradas do site allianz-arena.de no qual poderão encontrar mais informações sobre esta obra-prima.

Uma questão de negócios...

quarta-feira, julho 06, 2005
A recusa de Miguel em regressar ao trabalho no Benfica, tal como o "desaparecimento" de Enakarhire ou as vontades afirmadas de McCarthy, vão abrindo os olhos a muita gente sobre um fenómeno que cada vez mais parece ser recorrente no mundo do futebol: a pressão sobre o clube empregador para facilitar a saída para paragens mais lucrativas. Curioso é que apesar de haver legislação que tal proíbe, é prática usual os clubes chegarem a acordo com os jogadores enquanto estes ainda têm contrato com o seu clube e poucas serem as queixas que de facto vão avante, excepção feita ao recente caso Chelsea - Mourinho - Ashley Cole.

No entanto, não me parece que os dirigentes benfiquistas sejam as pessoas mais edóneas para vir a terreiro acusar quem quer que seja de tentativas de desvio de jogadores, já que a forma como o Benfica alegadamente se tem comportado em respeito à tranferência de Dedê é tudo menos inocente; isto apesar da tentativa de Veiga em distinguir a situação pelo facto do Dortmund dever dinheiro ao jogador e este pretender a rescisão com justa causa, o facto permanece, o brasileiro tem contrato com o Dortmund e como tal não pode negociar com outro clube sem o consentimento dos alemães. Assim, o Benfica conhece as duas faces da mesma moeda: por um lado vítima, por outro perpetrador.

Mas não sejamos sonsos e pensemos que apenas alguns são culpados nesta situação: a forma como o negócio futebolístico tem evoluído promove esta situação de jogadores mercenários, empresários manipuladores e dirigentes oportunistas, pelo que mais do que culpar quem merece importa reflectir como travar a situação.

Equipas B: um fim mal anunciado (II)

terça-feira, julho 05, 2005

Estando metade da argumentação desmontada, acerquemo-nos da parte referente ao facto de as Equipas B não cumprirem os objectivos a que se propõem. Como não é possível a subida de escalão das Equipas B, a FPF refere-se com certeza à formação de jogadores. Tendo estas sido criadas para a época 1999/2000, vejamos quais os jogadores que se têm destacado no futebol português nos últimos tempos e que tiveram nas Equipas B dos seus clubes uma plataforma de lançamento – entendendo-se aqui a passagem efectiva pela Equipa B bem como a presença regular numa dada fase da época nos trabalhos desta de forma a manter a ligação com a Equipa A.

Mas antes desse exercício convém lembrar o porquê das Equipas B. Portugal é, de facto, um dos países que podemos dizer estar “geneticamente” predestinado para a prática do futebol, condição que partilhamos com os nossos “irmãos e primos” latinos. Aliando a isso o natural interesse pela prática do desporto, verificamos que as camadas jovens portuguesas foram sempre capazes de produzir equipas com qualidade para ombrear com outras potências futebolísticas e lograr títulos que em seniores nunca alcançámos. A chamada “Geração de Ouro” do futebol português é disso exemplo, abrangendo os campeões do Mundo de ’89 em Ríad e ’91 em Lisboa e outros companheiros geracionais. No entanto, por cada membro dessa geração campeã que vingou no futebol profissional, 2 ou 3 caíram no esquecimento nas divisões inferiores; uns porque de facto não possuíam habilidade necessária para o profissionalismo de alto nível, outros porque não dispuseram de oportunidades em número suficiente ou porque não foram capazes de fazer a transição dos escalões de formação para as maiores exigências a nível sénior.

Atendendo a isso, e ao facto de ser necessário um acompanhamento mais cuidado dos jogadores nesta fase de transição, prolongando a sua formação enquanto se iniciava a carreira sénior, resolveu-se criar as Equipas B. Estas equipas permitiriam aos clubes com maiores tradições ao nível da formação manter os seus jogadores no clube, acompanhando-os e integrando-os na equipa principal sempre que oportuno. Lembremo-nos ainda que o usual era o empréstimo dos jovens a clubes de segunda linha, ou mesmo de escalões inferiores, onde o acompanhamento era menos cuidado e as exigências mais elevadas.

Feito o ponto da situação, continuemos com a desconstrução da justificativa da FPF para o findar destes projectos. Comecemos pela selecção A e verificamos que 7 jogadores habitualmente convocáveis por Scolari tiveram passagens pelas Equipas B que lhes permitiram progredir na carreira, são eles: Ricardo Costa, Manuel Fernandes, Ricardo Quaresma, Cristiano Ronaldo, Hugo Viana, Hélder Postiga e Hugo Almeida. Partindo do pressuposto que a FPF não esperava um resultado digno de uma linha de montagem, acho natural constatar que se trata de um resultado mais do que satisfatório. Se alargarmos esta análise aos Sub’21, o número de jogadores aumente de forma exponencial já que as Equipas B, e os jogadores que de lá saíram são a base desta equipa, que apenas tem o melhor registo da qualificação para o Europeu da categoria.

Mas como nem só de “vedetas” sobrevive o futebol, é importante também não esquecer os jogadores que não se afirmando nas equipas principais do clube de origem, revelam-se como reforços importantes para outros clubes nacionais. A título de exemplo podemos referir Manuel José agora no Boavista ou Tonel no Marítimo, ambos com passagens pela Equipa B do FC Porto. Se a formação de jovens jogadores portugueses era e é o objectivo principal, as Equipas B também trouxeram para o país jogadores jovens de outras nacionalidades que serviram e servem os clubes nacionais (ex. Paulo Assunção, Elias, Evaldo, Marcos António, Antonielton Ferreira, Bruno Moraes, Akos Buszáky).

Um outro bom motivo para a aposta nas Equipas B, é de índole puramente económica. Face às dificuldades financeiras da maioria dos clubes portugueses e à dificuldade em oferecer condições vantajosas aos jogadores quando em comparação com os mercados internacionais, a formação de jogadores e a sua venda tornou-se rapidamente de um requisito fundamental para a sobrevivências dos clubes nacionais. Examinem-se os números porque foram transferidos Cristiano Ronaldo, Hugo Viana, Ricardo Quaresma e Hélder Postiga, e mais uma vez concluímos que a aposta foi ganha.

Resumindo, a formação de jogadores nas Equipas B não só beneficia os clubes que as mantêm, através do contributo desportivo dos atletas e de lucros provenientes da venda dos seus passes, como beneficia toda a estrutura do futebol português desde os restantes clubes da Superliga e Liga de Honra que têm mais “matéria prima” à disposição a preços mais acessíveis (sobretudo a nível salarial), até à própria selecção nacional havendo um maior número de soluções disponíveis (quantitativa e qualitativamente), bem como a nível de resultados desportivos nas camadas jovens (desde a criação das Equipas B Portugal venceu 2 torneios de Toulon).

Assim sendo, a opção da FPF em acabar com as Equipas B não encontram sustento lógico na frase acima transcrita, pelo que resta especular a respeito do porquê da decisão. A grande questão que aqui se coloca é p tradicional proteccionismo do futebol português; estando prevista a, natural e justificada, redução do número de equipas para a II Divisão Nacional, importa garantir lugares na estrutura aos seus eleitores (leia-se Associações Distritais). Com isto sai a perder a totalidade do futebol português, mas isso não é importante desde que se mantenha as cadeiras do poder quentes!

Equipas B: um fim mal anunciado

segunda-feira, julho 04, 2005

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"As Equipas “B” não cumprem, neste momento, os objectivos para os quais foram criadas e principalmente são geradoras de desequilíbrios nas competições, não só em termos competitivos como no cômputo do número de Equipas “B” participantes em cada ano".

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Esta é a frase com a qual a FPF justifica o erradicar das Equipas B da sua reestruturação dos quadros competitivos para a 2ª B (agora II Divisão Nacional – alguém me explica qual a tara dos dirigentes nacionais com a mudança dos nomes das competições? A patente expira?). São apresentados dois motivos para esta decisão: o não cumprimento dos objectivos, e os desequilíbrios competitivos e logísticos causados. Para os pouco conhecedores da realidade nacional em geral, e da realidade das Equipas B em particular, estas parecem ser razões mais do que suficientes para a decisão federativa; na realidade, são factos que não se comprovam e que por isso não podem servir para justificar uma decisão que visa proteger os interesses da FPF e de quem a dirige e não o futebol.

Atentemos então com mais cuidado na argumentação da FPF, começando pelos desequilíbrios que as Equipas B causam. É uma verdade que a falta de continuidade de alguns projectos B levam a que haja oscilação do número de equipas participantes; no entanto, os protestos referem-se às desistências de Sporting e Académica e à criação, já esta temporada, do Vit. Setúbal B, nada de tão dramático que cause convalescença tanto mais que se tratam de decisões atempadamente anunciadas. A equipa B do Benfica foi despromovida à 3ª Divisão, estando agora de volta num ciclo natural que em nada altera o número de participantes na Zona Sul; não esqueçamos que no ano em que o Sporting abandonou o projecto da sua Equipa B, esta foi despromovida não havendo alteração do número de equipas participantes.

O argumento do desequilíbrio competitivo é de tal forma surreal que mais parece tirado de um dos episódios da série de culto “Twilight Zone”. Mas desde quando um determinado clube causar “desequilíbrios competitivos” num campeonato é motivo para a sua exclusão? Porque não excluir Porto, Benfica e Sporting da Superliga por causarem desequilíbrios competitivos, ganhando a maioria dos campeonatos? Pela lógica, num campeonato as equipas procuram ser melhor do que as outras, logo é natural que o mesmo suceda com as Equipas B, embora esse não seja o seu objectivo.

(continua)