Lugar Cativo

"A melhor defesa é o ataque" Hugo Meisl

Futebol do Mundo (I)

Image hosted by Photobucket.com

U.R.S.S.: o futebol científico dos Sovietes


União Soviética, Euro '88 © magazine "Odynnadtsat", 1988, N1. Posted by Hello

A União Soviética sempre foi encarada pelo mundo ocidental com um misto de fascínio e de temor, sentimentos que o desconhecido influi na mente do ser humano. Tal como todo o ideal soviético, também o seu futebol se encontrava imerso num manto de reverência e espanto; durante décadas as equipas do leste europeu eram encaradas com o mesmo respeito que era devido aos grandes colossos do futebol ocidental, graças à colectivização do seu jogo que fluía mecanicamente como o mais perfeito relógio suíço.

No entanto, o verdadeiro “futebol científico” surgiu apenas na década de 70, obra de Valery Lobanovsky que à frente do Dínamo de Kiev e da selecção soviética congeminou uma forma de encarar o jogo que se enquadrava perfeitamente na filosofia do regime: o colectivo à frente do indivíduo.

Convém realçar que falar de futebol soviético em geral é esquecer as idiossincrasias nacionais que contribuíram para a sua construção. A fusão das escolas russa e ucraniana permitiu a criação de uma potência futebolística temida: a primeira com a sua metodologia, a segunda acrescentando-lhe criatividade.

Foi em Kiev, ao comando do seu Dínamo, que Lobanovsky preparou meticulosamente uma nova forma de encarar o jogo: a sistematização táctica preconizava deter a posse de bola o menor tempo possível, procurando avançar preferencialmente ao primeiro toque em rápidas triangulações, ocupando de forma eficaz os espaços vazios e mostrando-se letal no contra-ataque. Um futebol mecanizado onde o colectivo funcionava como um corpo e no qual o indivíduo tinha apenas lugar como um componente da “máquina”; em três palavras: veloz, atlético e táctico.

Lobanovsky ficou conhecido pela sua organização meticulosa do trabalho, cujo objectivo era o de dotar as suas equipa de uma extraordinária disciplina táctica que, aliada ao potenciamento do rendimento físico e mental dos atletas, estabelecia as bases para o sucesso do colectivo. Os ideias que o notabilizaram no Dínamo de Kiev foram mais tarde transpostos para a selecção da URSS pelo próprio Lobanovsky que a liderou em diversas ocasiões, obtendo como ponto máximo o segundo lugar no Europeu de ’88, onde foi batida pela Holanda de Rinus Michels, homem que influenciara “o Velho Lobo” com os seus ideais do Futebol Total na década de 70. Os resultados obtidos em Kiev e à frente da selecção soviética tornaram o sistema de jogo de Lobanovsky numa referência para as equipas do Leste europeu.

No entanto, a constante mobilidade dos seus jogadores e a indefinição quanto a um esquema táctico tipo, característica que resultou como grande vantagem para os soviéticos e que lhes permitia confundir os seus adversários e protagonizar grandes exibições, funcionou como principal handicap para a universalização do futebol científico de Lobanovsky já que inviabilizava a sua adaptação a contextos distintos ao qual havia nascido.

Mesmo assim, ainda hoje o futebol das equipas de Leste entre a 2ª Guerra e a Queda do Muro de Berlim se mantém como uma referência no mundo do futebol e o seu criador, Valery Lobanovsky, como um dos grandes mestres do desporto-rei.
« Home | Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »

0 Comentários:

Comentar