Lugar Cativo

"A melhor defesa é o ataque" Hugo Meisl

Futebol do Mundo (II)

sábado, abril 23, 2005
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A Escola de Artes do Danúbio


No triângulo formado por Viena, Budapeste e Praga criaram-se algumas das mais belas obras culturais da humanidade; literatura, música, poesia, todas devem à zona do Danúbio especial reverência pois de lá provieram alguns dos seus mestres principais. Embora a elite cultural e o futebol andem de costas voltadas grande parte do tempo, a verdade é que foi da boémia cultural do Danúbio que entre as décadas de 30 a 50 se escreveram e compuseram algumas das mais belas partituras da história do futebol.

Numa altura em que o estilo inglês era reverenciado pelo seu estatuo de patriarca do futebol, na época em que o WM dominava as concepções tácticas e a capacidade física ditava a lei, os Magos do Danúbio romperam com os cânones futebolísticas e encantaram o mundo com um novo estilo de futebol baseado na superior capacidade técnica dos seus executantes, na rápida troca de passes, nas triangulações desconcertantes e numa organização táctica sólida e exemplar. Um futebol onde todos atacavam e todos defendiam, onde o pressing ofensivo era referência e a polivalência dos jogadores um pré-requisito; um futebol esteticamente belo e eficaz, como se as sinfonias de Mozzart calçassem umas chuteiras e bailassem pelos campos de futebol europeus.




Aústria



Austria, 1932. © Votava Posted by Hello

Mas a história faz-se de nomes e nesta são muitos os que assumem o papel principal. O austríaco Hugo Meisl foi talvez o impulsionador principal do desabrochar da escola centro-europeia; influenciado pelo futebol britânico, sobretudo pelas ideias de Jimmy Hogan, Meisl compreendeu que aliando à morfologia atlética característica do futebol para lá da Mancha o perfume técnico dos intérpretes austríacos, estaria em condições de criar um novo estilo de futebol superior. Partindo desta base, associou-se a Hogan e em conjunto congeminaram uma formação austríaca que surpreendeu o mundo futebolístico dos inícios dos anos 30 ficando conhecida para a posteridade sobre a designação de Wunderteam, a “Equipa Maravilha”.

Entre 1931 e 1935 esta equipa fabulosa que contava com jogadores de elevado nível, entre os quais se destacava Matthias Sindelar, encantou o mundo com o seu futebol de passe curto, sistematizando o ataque em bloco, o predecessor do actual pressing ofensivo. Na caminhada para o Mundial de ‘34 na Itália, o Wunderteam esteve 14 jogos sem conhecer a derrota, dos quais 11 se cifraram em vitória dos austríacos. Na fase final atingiu brilhantemente a meia-final onde, desgastados pelo torneio e afectados por lesões, os austríacos caíram aos pés dos anfitriões e vencedores da prova.

Em 1938 deu-se o Anchluss, a anexação da Aústria pela Alemanha nazi, sendo a selecção da Ostmark (como o território austríaco passou a ser designado) impedida de participar no mundial de ’38 em nome da união da pátria nazi, que recrutou para as suas fileiras seis jogadores do Wunderteam austríaco. Mas a 3 de Abril desse mesmo ano, o Wunderteam defrontou a selecção germânica naquilo que era suposto ser uma demonstração de superioridade da raça ariana e da selecção alemã; guiada por Sindelar, a selecção austríaca deu um recital de bom futebol e venceu por 2-0 perante os olhos de 60.000 espectadores e sob os narizes dos comandantes das SS. Foi a última demonstração de poder do futebol austríaco que, depois da guerra e tendo sofrido influências do estilo mais físico alemã, não mais conseguiu criar uma equipa herdeira do Wunderteam de Meisl.



Hungria


Inglaterra - Hungria, 1953. ©Planeta do Futebol Posted by Hello

No pós-guerra, o foco do futebol centro-europeu moveu-se de Viena em direcção a Budapeste, capital da Hungria, de onde brotou aquela que muitos consideram a melhor equipa da história do futebol mundial: a Aranycsapat, a “Equipa de Ouro” húngara. Percebendo a importância do futebol como instrumento de propaganda política, o emergente governo comunista húngaro entregou a Guzstav Sebes, o vice-ministro dos desportos, o controlo da selecção magiar. Sabendo das dificuldades em criar um onze coeso devido ao pouco tempo que os jogadores da selecção passavam juntos, Sebes utilizou o modesto clube Kispest como laboratório para a sua selecção; passando a ser comandado pelo exército, o Kispest recebia os melhores jogadores do país nas suas fileiras em nome do interesse da pátria, formando uma equipa fabulosa, o mítico Kispest Honved, uma máquina de bom futebol que dominou o futebol húngaro na primeira metade da década de 50, período em que encantou o futebol mundial.

Aproveitando o trabalho de Janus Kalmar (escolhido por Sebes) no Honved, Gustav Sebes construiu uma selecção que conseguiu dois recordes ainda em vigor: maior número de jogos sem perder (32); e maior número de golos apontados numa fase final de um Campeonato do Mundo (27, no Suiça ’54). A primeira grande demonstração de força dos magiares deu-se nos Jogos Olímpicos de 1952, realizados em Helsínquia, onde conquistaram com brilhantismo a medalha de ouro. No entanto, acabou por ser um jogo amigável a criar o mito da imbatibilidade húngara: em 1953, no jogou que mudou o futebol, a Hungria foi a Wembley bater a altiva selecção inglesa por uns expressivos 6-3! Para além do brilhantismo técnico dos jogadores húngaros, a partida serviu para demonstrar a superioridade táctica da formação orientada por Sebes: o tradicional WM foi transformado pelos magiares pelo simples recuo do ponta-de-lança (Hidegkuti) para uma posição de “lançador” de jogo, abrindo espaços na defesa contrária que eram aproveitados pelas entradas dos alas e dos médios. No jogo da desforra em Budapeste, a Aranycsapat voltou a vencer, desta feita por 7-1!

O futebol baseado em passes curtos e nas capacidades técnicas dos seus executantes exibido pelos húngaros levou-os a uma caminhada triunfal da sua selecção até ao jogo decisivo do Mundial de ’54 realizado na Suiça. Terminou aí a série imbatível dos húngaros, batidos pela República Federal da Alemanha por 2-3, depois de terem vencido os germânicos por 8-3 na fase de grupos. Este foi o último grande momento do futebol húngaro e da sua magnífica selecção, que seria desmantelada pela deserção de alguns dos seus melhores jogadores em 1956 como consequência da invasão da Hungria por parte da União Soviética na tentativa de impedir uma sublevação dos húngaros face ao regime comunista instalado. Construída pela força política e pelas armas, a fabulosa selecção húngara veria o seu fim ser ditado pelas mesma forças.



Checoslováquia


Checoslováquia, 1976. ©Planeta do Futebol Posted by Hello

O 3º vértice do triângulo mágico do Danúbio situava-se em Praga, a poética capital da então Checoslováquia. Tal como sucedeu com as selecções austríaca e húngara, o futebol checo mesclou a força física com a superior capacidade técnica dos seus jogadores, num estilo de jogo baseado em passes curtos e dribles, uma herança das influências escocesas dos primórdios do futebol checoslovaco. O estilo checo revelou-se temível devido à forma como integrava num todo harmonioso a robustez física dos seus defesas com o perfume técnico exibido do meio campo para a frente; um futebol habilidoso, jogado com astúcia e agressividade que levou os checos ao segundo lugar no Campeonato do Mundo de ’34, onde perderam na final com a anfitriã Itália.

O futebol checo viveu nos 20 anos seguintes um ocaso, fruto das tensões resultantes da 2ª Guerra Mundial a partir da qual a Checoslováquia passou a estar sob a tutela soviética. Este período permitiu no que ao futebol habilidoso e esteticamente agradável da Escola do Danúbio, se juntasse o cientismo e ideais colectivistas da doutrina comunista; desta forma os checos apresentavam um futebol colectivamente muito forte, pincelado por individualidades de qualidade superior. Uma mistura explosiva que começou a dar frutos em 1962 no Chile, num Mundial em que mais uma vez os checos perderiam na final por 2-1 devido a erros dos seus guarda-redes (Planika em ‘34; Schroiff em ’62) depois de terem chegado à vantagem; desta feita o carrasco dos checos foi o Brasil, que conquistava o bicampeonato. Nesse torneio, os checos apresentaram um futebol astuto entregando o comando do jogo adversário, refugiando-se no seu reduto defensivo à espera de um erro que lhes permitisse recuperar a bola e partir mortiferamente para o contra-ataque.

A Checoslováquia acabaria por ser, das 3 nações que constituíam o Triângulo do Danúbio, a única a conquistar um título internacional ao mais alto nível com o triunfo no Europeu de ’76; um período já distante da época áurea do estilo centro-europeu. Comandada por Jezek, a Checoslováquia apresentou um futebol que aliava à técnica individual dos seus jogadores, o pragmatismo do futebol ao primeiro toque da escola soviética, o que a tornava uma equipa temível Na caminhada para o título, os checos deixaram pelo caminho as 3 grandes favoritas à conquista do troféu: a poderosa URSS; a finalista do Mundial anterior e grande favorita, a Holanda do “Futebol Total”; e, na final, derrotou a força germânica, campeã do mundo em título, na decisão através de grandes penalidades com um momento sublime de Panenka que, com um amorti divinal, deixou Sepp Meier espraiado no solo em desespero. A consagração de uma selecção que esteve 22 jogos sem conhecer a derrota.

Com a separação de checos e eslovacos, passou a ser a Rep. Checa a sucessora dos checoslovacos, continuando a demonstrar um futebol eminentemente técnico, mas com um sentido táctico e colectivo elevado. Em ’96, no Europeu realizado na Inglaterra, os checos surpreenderam ao atingirem a final onde seriam derrotados por um golo de ouro alemão. Os torneios seguintes forma amargos para os checos, que voltaram a deslumbrar no Euro ’04 realizado em terras lusas, do qual foram afastados nas meias-finais por um golo de prata grego.



Muito do que foi o poderio do futebol virtuoso da Escola do Danúbio, encontra-se sufocado sobre o desfalecimento do futebol húngaro e a “germanização” que alterou a morfologia do futebol austríaco. Hoje em dia, a República Checa, separada da irmã eslovaca, é a única herdeira de um estilo que em tempos foi o mais belo do mundo; é no futebol de Nedved, Baros e companhia que os genes de outros gigantes do futebol mundial continuam a encantar gerações de amantes do desporto-rei.

Momentos na História V: o Primeiro Golo

sexta-feira, abril 15, 2005

© Público, Ano XVI, Nº 5498, 14 de Abril de 2005
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31 de Julho de 1930. Estádio Centenário de Montivedeu, Uruguai. Aléxis Thépot, guarda-redes da selecção francesa passa a bola a Augustin Chantrel, este endossa-a a Ernest Liberati que, após passar um defesa mexicano centra para o remate vitorioso de Lucien Laurent. Estava marcado o primeiro golo da História do Campeonato do Mundo de Futebol. A equipa francesa venceu o jogo por esclarecedores 4-1, a sua única vitória no torneio o que lhe custou a eliminação logo na fase de grupos de um Mundial ganho pelos uruguaios.

Lucien Laurent, que viria a ser conhecido como "Le 1er", apenas actuou em mais um jogo do qual saiu lesionado (contra a Argentina, 0-1); mas os 90 minutos do jogo face aos mexicanos foram suficientes para que inscrevesse o seu nome a letras de ouro na história do futebol mundial.

Laurent faleceu segunda-feira passada com a bonita idade de 97 anos; esta foi a forma que encontrei para prestar uma homenagem simbólica.

O Kemari

quarta-feira, abril 13, 2005

Jogo de Kemari Posted by Hello

Tal como os seus vizinhos chineses, também no Japão surgiu um jogo aparentado com o futebol moderno. O Kemari certamente foi influenciado pelo Tsu Chu, embora estivesse imbuído de um carácter mais lúdico e menos competitivo, sendo descrito como “uma experiência mais dignificante e cerimoniosa”.

O jogo consistia basicamente em passar uma bola feita de camurça entre os vários jogadores (de 2 a 12), utilizando para isso apenas os pés; quando um jogador recebia a bola podia dar os toques que entendesse antes de endossá-la a um companheiro. Este jogo mais recreativo apresenta grandes similitudes com exercícios de recreação praticados nos dias de hoje.

As partidas de Kemari desenrolavam-se num recinto especial, designado por kikutsubo, delimitado pela colocação quadrangular de quatro árvores: uma cerejeira, uma macieira, um salgueiro e um pinheiro.

A data em que o jogo surgiu pela primeira vez não é conhecida com certeza, mas certas evidências textuais remetem para a possibilidade de se ter disputado um jogo entre praticantes de Kemari e Tsu Chu por volta de 50 DC; facto que remeteria para essa data o primeiro jogo internacional de “futebol”.

O Tsu Chu

segunda-feira, abril 11, 2005
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Criado na Grã-Bretanha oitocentista, o futebol tem atrás de si (em termos históricos) uma série de jogos que com ele partilham certas especificidades; sendo a principal o pontapear de uma bola. A inclusão de objectos esféricos em jogos, de carácter lúdico ou ritual, é uma constante nas diversas civilizações que povoaram o nosso planeta. Cada uma à sua maneira, enquadrada no seu espaço temporal e sobretudo cultural, desenvolveu jogos, que não sendo antepassados directos do futebol moderno, podem ser incluídos numa árvore genealógica como parentes mais próximos ou mais afastados.

O primeiro desses jogos, assim rezam as crónicas, foi o jogo chinês Tsu Chu surgido algures entre o 2º e o 3º século A.C., embora a sua criação possa remontar a período ainda mais longínquo. O objectivo do jogo consistia em pontapear uma bola de couro, designada por zuqui, através de uma abertura numa rede com cerca de 30 a 40 cm de diâmetro, rede essa que se encontrava suspensa por canas de bambu a cerca de 9 metros do solo, com qualquer parte do corpo exceptuando as mãos. Como se pode imaginar, a tarefa dos jogadores não era propriamente fácil, daí que estes fossem reconhecidos como extremamente dotados do ponto de vista técnico.

A exigência física e técnica do Tsu Chu tornou-o num exercício para os militares chineses, sendo um manual militar da Dinastia Han (206 AC – 220 DC) uma das mais ricas fontes de informação a respeito deste desporto. A versão militar do jogo introduzia adversários que atacavam o jogador de forma a impedir que este conseguisse atingir o objectivo, sendo que a este restava continuar a jogar. Para além de um exercício militar, o Tsu Chu era por vezes jogado como exibição em cerimónias especiais, como era o caso do aniversário do Imperador. Alguns imperadores chineses eram adeptos do desporto o que permitiu um aumento da popularidade do mesmo em todas as franjas populacionais.

A popularidade do desporto entre os chineses manteve-se até perto do séc. XX altura em que foi sendo substituído pelo futebol moderno; consta-se que Marco Pólo, no regresso das suas viagens pelo Oriente, trouxe consigo as regras do jogo, no entanto já se praticava à altura desportos mais similares ao que viria a ser desenvolvida na Grã-Bretanha, não se podendo atribuir ao explorador qualquer influência no desenvolvimento do futebol na Europa.

Raízes do Futebol

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Com este post inicio uma nova série no Lugar Cativo onde vou abordar a evolução do futebol a partir dos vários jogos similares que foram surgindo ao longo do tempo nas várias sociedades humanas.



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Futebol do Mundo (I)

domingo, abril 03, 2005
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U.R.S.S.: o futebol científico dos Sovietes


União Soviética, Euro '88 © magazine "Odynnadtsat", 1988, N1. Posted by Hello

A União Soviética sempre foi encarada pelo mundo ocidental com um misto de fascínio e de temor, sentimentos que o desconhecido influi na mente do ser humano. Tal como todo o ideal soviético, também o seu futebol se encontrava imerso num manto de reverência e espanto; durante décadas as equipas do leste europeu eram encaradas com o mesmo respeito que era devido aos grandes colossos do futebol ocidental, graças à colectivização do seu jogo que fluía mecanicamente como o mais perfeito relógio suíço.

No entanto, o verdadeiro “futebol científico” surgiu apenas na década de 70, obra de Valery Lobanovsky que à frente do Dínamo de Kiev e da selecção soviética congeminou uma forma de encarar o jogo que se enquadrava perfeitamente na filosofia do regime: o colectivo à frente do indivíduo.

Convém realçar que falar de futebol soviético em geral é esquecer as idiossincrasias nacionais que contribuíram para a sua construção. A fusão das escolas russa e ucraniana permitiu a criação de uma potência futebolística temida: a primeira com a sua metodologia, a segunda acrescentando-lhe criatividade.

Foi em Kiev, ao comando do seu Dínamo, que Lobanovsky preparou meticulosamente uma nova forma de encarar o jogo: a sistematização táctica preconizava deter a posse de bola o menor tempo possível, procurando avançar preferencialmente ao primeiro toque em rápidas triangulações, ocupando de forma eficaz os espaços vazios e mostrando-se letal no contra-ataque. Um futebol mecanizado onde o colectivo funcionava como um corpo e no qual o indivíduo tinha apenas lugar como um componente da “máquina”; em três palavras: veloz, atlético e táctico.

Lobanovsky ficou conhecido pela sua organização meticulosa do trabalho, cujo objectivo era o de dotar as suas equipa de uma extraordinária disciplina táctica que, aliada ao potenciamento do rendimento físico e mental dos atletas, estabelecia as bases para o sucesso do colectivo. Os ideias que o notabilizaram no Dínamo de Kiev foram mais tarde transpostos para a selecção da URSS pelo próprio Lobanovsky que a liderou em diversas ocasiões, obtendo como ponto máximo o segundo lugar no Europeu de ’88, onde foi batida pela Holanda de Rinus Michels, homem que influenciara “o Velho Lobo” com os seus ideais do Futebol Total na década de 70. Os resultados obtidos em Kiev e à frente da selecção soviética tornaram o sistema de jogo de Lobanovsky numa referência para as equipas do Leste europeu.

No entanto, a constante mobilidade dos seus jogadores e a indefinição quanto a um esquema táctico tipo, característica que resultou como grande vantagem para os soviéticos e que lhes permitia confundir os seus adversários e protagonizar grandes exibições, funcionou como principal handicap para a universalização do futebol científico de Lobanovsky já que inviabilizava a sua adaptação a contextos distintos ao qual havia nascido.

Mesmo assim, ainda hoje o futebol das equipas de Leste entre a 2ª Guerra e a Queda do Muro de Berlim se mantém como uma referência no mundo do futebol e o seu criador, Valery Lobanovsky, como um dos grandes mestres do desporto-rei.

Momentos na História IV: a 1ª Transferência Milionária

sexta-feira, abril 01, 2005

Alf Common Posted by Hello

Em 1905 o Middlesbrough, à data um clube recente com apenas 6 anos de história, comprou ao Sunderland Alf Common pela astronómica (tendo em conta os padrões da época) soma de £1,000, deixando estupefactos os seguidores do fenómeno futebolístico. Common já havia sido transferido para o Sunderland por £350, verba paga ao seu anterior clube o Sheffield United.

A FA tinha em 1899 estipulado um preço máximo de £10 para a transferência de um jogador, no entanto foi impossível deter a escalada de preços que se seguiu tendo-se atingido as £4oo como um preço "aceitável" por um bom jogador. No entanto, ninguém esperava que se saltasse de uma forma súbita para a "irreal" fasquia das mil libras. A situação levantou suspeitas de uma possível tentativa de lavagem de dinheiro proveniente de actividades ilícitas por parte dos dirigentes do Boro, tendo-se descoberto que o clube não tinha problemas finaceiros já que pagava alguns "extras" aos jogadores.

Para os puristas do "jogo de cavalheiros" que o futebol era à época, esta era uma situação impensável que lançava o futuro do desporto no abismo. As acusações de que o dinheiro estragava o jogo, de que os jogadores eram mercenários sem lealdade para com os seus clubes e que esta era apenas uma nova forma de tráfico de humanos provêm da época. Hipotizava-se o pior: "will we soon have £2,000 transfers or even, perish the thought, will there one of these days be a £10,000 transfer fee?" (sic)

Como curiosidade refira-se que o primeiro jogo de Common pelo Boro foi precisamente contra os seus ex-companheiros do Sheffield United, cabendo-lhe a honra de ter marcado o único golo do jogo através de um penalty.