Lugar Cativo

"A melhor defesa é o ataque" Hugo Meisl

Momentos na História III: O Primeiro Jogo Internacional

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Escócia vs Inglaterra, © AFS Enterprises Limited 2002. All Rights Reserved Posted by Hello

A 30 de Novembro de 1872 no Hamilton Crescent em Partick, Escócia e Inglaterra defrontaram-se naquele que foi o primeiro jogo internacional da história do futebol. No final o 0-0 com que o jogo se iniciou mantinha-se, mas estava dado o primeiro passo para auniversalização dos jogos entre selecções.

A tentativa de organizar um jogo entre escoceses e ingleses tinha-se iniciado em 1870, com uma partida a ser agendada para 19 de Fevereiro no The Oval (Kennington, Londres); no entanto devido a condições climatéricas adversas o jogo acabou por apenas se realizar a 5 de Março do mesmo ano. Esta partida não é no entanto considerada como o primeiro jogo internacional já que os jogadores escoceses eram seleccionados pela Football Association a partir dos jogadores da zona londrina que tivessem ligações com a Escócia; o mesmo método de selecção manteve-se em quatro outros jogos que se realizaram em 1870 e 1871.

Foi então em 1872, com uma selecção escocesa constituída por jogadores provenientes do Queens Park, à data o grande dominador do futebol da velha Alba. Para os anais da História ficam os intervenientes no jogo:

Local: Hamilton Crescent (West of Scotland Cricket Ground), Partick, Glasgow, Escócia

Assistência: 4,000

Árbitro: William Keay (Escócia)
Umpires: Charles W. Alcock (Inglaterra); H. Smith (Escócia)

Escócia: 1. Robert W. Gardner (Guarda-redes; Cap.; Queens Park FC e Granville FC); 2. William Kerr (Defesa; Queens Park FC e Granville FC); 3. Joseph Taylor (Defesa; Queens Park FC e Granville FC); 4. James J. Thompson (Médio; Queens Park FC); 5. James Smith (Médio; Queens Park FC e South Norwood FC); 6. Robert Smith (Avançado; Queens Park FC e South Norwood FC); 7. Robert Leckie (Avançado; Queens Park FC); 8. Alex Rhind (Avançado; Queens Park FC); 9. William Muir MacKinnon (Avançado; Queens Park FC); 10. James Begg “Jerry” Weir (Avançado, Queens Park FC); 11. David Wotherspoon (Avançado; Queens Park).

Tr. Não havia; a selecção foi feita por Robert W. Gardner

Inglaterra: 1. Robert Barker (Guarda-redes e Avançado; Hertfordshire Rangers); 2. Ernest H. Greenhalgh (Defesa; Notts County FC); 3. Reginald de C. Welch (Médio; Wanderers FC); 4. Frederick P. Chappel (Médio; Oxford University); 5. William J. Maynard (Avançado e Guarda-redes; 1st Surrey Rifles); 6. John Brockbank (Avançado; Cambridge University); 7. John C. Clegg (Avançado; Wednesday FC); 8. Arnold K. Smith (Avançado; Oxford University); 9. Cuthbert J. Ottaway (Avançado; Cap.; Oxford University); 10. Charles J. Chenery (Avançado; Crystal Palace FC); 11. Charles J. Morice (Avançado; Barnes FC).
Nota: Barker e Maynard trocaram de posições com o decorrer do jogo.


Tr. Não havia: a selecção foi feita pela FA


Táctica Escocesa Posted by Hello


Táctica Inglesa Posted by Hello

Internazionale: história em tons nerazurri

segunda-feira, fevereiro 21, 2005
O Internazionale Football Club Milano foi fundado em 1908 em virtude de uma cisão no AC Milan (à altura Milan Crickett and Football Club), devido ao facto de os jogadores estrangeiros não serem aceites na equipa milanesa. Logo em 1910 sagrou-se campeão, com uma equipa que tinha em Virgílio Fossatti a sua grande figura. Fossati tornou-se na primeira lenda nerazurra devido a ter falecido na 1ª Guerra Mundial quando era uma das grandes figuras do futebol italiano.

A subida de Mussolini ao poder resultou em alterações no clube milanês; ao Duce não agradava o nome Internazionale sendo este mudado para Ambrosiana, em honra a Santo Ambrósio padroeiro da cidade de Milão, passando o clube a equipar de branco em substituição do tradicional padrão listado azul-e-preto. Mesmo mudando o nome, o clube manteve-se na senda do sucesso sagrando-se campeão italiano em 1930, na primeira competição verdadeiramente de nível nacional nos moldes semelhantes ao da actual Série A. A década de 30 consagrou uma das figuras maiores do Inter e da selecção italiana: Giuseppe Meazza, figura principal da formação transalpina que Vittorio Pozzo liderou à conquista dos títulos mundiais de 34 e 38. Meazza, que viria a jogar também no AC Milan, tornou-se na figura de maior consenso do futebol milanês não sendo por acaso que o lendário San Siro foi baptizado com o seu nome.

Com o final da 2ª Guerra Mundial e a vitória dos Aliados, foi recuperado o nome de Internazionale de Milano voltando o clube a vestir de azul-e-preto. O Inter voltou a ser campeão em 52/53, 22 anos depois do triunfo em 40. O homem por trás deste triunfo foi o técnico Alfredo Foni, adepto do cattenacio, uma forma de jogar que se vinha popularizando em Itália, embora estivesse restrita às equipas mais pequenas. A posição de libero surgiu por este altura, sendo Blasson o jogador eleito por Foni para ocupar essa posição no onze campeão. No ano seguinte o Inter voltou a sagrar-se campeão.


Equipa campeã em 64-65 (foto Inter.it) Posted by Hello

A década de 60 foi a época dourada do futebol nerazurri, onde comandado por homens como Ângelo Moratti, Helenio Herrera e Luiz Suarez, o clube conquistou 3 scudettos (62/63, 64/65 e 65/66), 2 Taças dos Campeões Europeus (64 e 65) e 2 Taças Intercontinentais (65 e 66). Com Herrera o cattenacio, táctica tipicamente defensiva, tornou-se numa arma de vitória posta em prática por jogadores como Mazzola, Corso ou o braileiro Jair; mas o grande cérebro da equipa era o espanhol Luiz Suarez, considerado por muitos o melhor jogador de sempre do país vizinho. O sucesso da equipa sob o comando de Moratti durou até 68, altura em que se demitiu da presidência após a derrota na final da Taça dos Campeões face ao Celtic disputada no Jamor.

O Inter voltou a ser campeão em 70/71, ainda com alguns resistentes da década gloriosa de 60, numa equipa onde começava a despontar o avançado Boninsegna. Os anos que se seguiram foram marcados por uma nova travessia no deserto quebrada apenas em 80 num campeonato de boa memória que, para além de verem o Internazionale a dominar o campeonato do princípio ao fim, assistiram à descida do grande rival AC Milan devido ao escândalo Toto-Nero.

Mais uma vez foram precisos 9 anos para que o Inter voltasse a sagrar-se campeão, numa equipa onde pontificavam Matthaus, Zenga, Brehme e Bergomi. No banco um treinador que defendia a consistência defensiva como um factor essencial para o sucesso de qualquer equipa: a Velha Raposa, Giovanni Trapattoni. Apesar das críticas Trap conduziu a equipa a um título tranquilo terminando o campeonato com 58 pontos (recorde à época), mais 11 do que o segundo o Nápoles de Maradona, apontando 67 golos.

A tendência do Inter para passar largos períodos sem conquistar o título voltou a surgir após o triunfo de 89, e já lá vão 15 anos sem que o scudetto fosse nerazurri; ainda assim neste período o clube conseguiu conquistar 3 Taças UEFA (91, 94 e 98). Em 1995 a família Moratti voltou a entrar nos destinos do clube, desta feita por intermédio de Massimo Moratti, filho do lendário Ângelo. Tal como o pai havia feito, Massimo não poupou esforços no sentido de tornar o Inter numa força dominante do futebol italiano e europeu; mas a verdade é que desde que assumiu a liderança do clube, este tornou-se mais num entreposto de jogadores de nível mundial, sem que com isso tenha conseguido obter a fórmula mágica que permita voltar a conquistar um scudetto.

Palmarés:

Série A: 1909/10, 1919/20, 1929/30, 1937/38, 1939/40, 1952/53, 1953/54, 1962/63, 1964/64, 1965/66, 1970/71, 1979/80, 1988/89

Coppa Itália: 1938/39, 1977/78, 1981/82

Supertaça de Itália: 1988/89

Taças dos Campeões: 1963/64, 1964/65

Taça UEFA: 1990/91, 1993/94, 1997/98

Taça Intercontinental: 1964, 1965

Momentos na História II: a regra do fora-de-jogo

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

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Em 1925, o Internationnal Board (IFAB) decidiu alterar a regra do fora-de-jogo, passando a ser de 2, e não de 3, o número de jogadores adversários colocados entre um jogador e a linha de golo oponente para que este fosse considerado como estando em jogo.

A regra do fora-de-jogo no futebol começou por ser semelhante à do rugby: qualquer jogador de uma equipa que se situasse à frente da linha da bola quando esta fosse tocada por um seu colega de equipa, era considerado como estando fora-de-jogo independentemente do número de adversários que se encontrassem entre ele e a linha de golo oponente. Perante este cenário, as manobras ofensivas limitavam-se ao avanço em drible (o Dribbling Game) ou com a linha avançada posicionada na vertical ou na diagonal sendo a bola passada para trás, um pouco à semelhança do que hoje em dia ainda se faz no rugby.

Em 1866, tendo por base as regras redigidas na Universidade de Cambridge em 1848 e reescritas em 1856, a Football Association deliberou que um jogador se encontraria na posição de fora-de-jogo sempre que recebesse um passe de um seu colega de equipa (feito na direcção da baliza contrária), e entre si e linha de golo adversário se encontrassem menos de 3 defensores. Apesar de o passe para a frente ser agora permitido, a progressão em drible manteve-se como a tendência dominante, até porque muitas equipas desenvolveram estratégias para rapidamente colocar os avançados adversários em fora-de-jogo através da subida dos seus 2 defensores (não esquecer que o sistema táctico utilizado à época era o 2-3-5).

Perante esta situação, a Federação Escocesa apresentou numa reunião do IFAB uma proposta de alteração da regra do fora-de-jogo reduzindo o número de jogadores adversários situados entre o homem que recebe o passe e linha de golo para dois. Esta mudança na lei teve como principal consequência um aumento no número de golos marcados; assim, de um total de 4700 golos marcados em 1848 jogos na época de 1924/25 na Football League, passou-se para 6373 no mesmo número de jogos na época imediata, a primeira em que a nova lei passou a contar.

A nova táctica demonstrou também a fragilidade defensiva dos sistemas tácticos da altura. Foi precisamente em 1925 que Herbert Chapman assumiu o comando do Arsenal, e sendo confrontado com a fragilidade defensiva do universal 2-3-5 – que permitia demasiada liberdade ao avançado-centro adversário – resolveu recuar o médio-centro do sistema piramidal inventando o designado stopper, o defesa-central. Acabar de nascer o WM, um sistema táctico que marcou 3 décadas do futebol mundial.

Em 1990, a lei do fora-de-jogo sofreu uma nova alteração siginificativa, estando a partir de então previsto que se o jogador da equipa que ataca se encontrar em linha, e não necessariamente atrás como até então, do penúltimo defesa contrário na altura em que a bola é jogada por um seu colega de equipa, deverá ser considerado como estando em jogo.

Embora a alteração efectuada em 1925 tenha tido como motivo principal a necessidade de aumentar o número de golos e diminuir as paragens no jogo pelo excesso de foras-de-jogo, foram desenvolvidas estratégias defensivas cujo único propósito foi o de aproveitarem esta regra para anularem as investidas ofensivas dos adversário: a chamada defesa-em-linha, que ao antecipar o passe avança na altura exacta em bloco colocando os adversários em fora-de-jogo. Embora a patente deste sistema seja atribuída ao francês Pierre Sinibaldi quando nos anos 60 orientou o Anderlecht, a verdade é que uma verão rústica desta estratégia era utilizada nos anos 20 em Inglaterra, sendo os créditos da sua invenção e aperfeiçoamento entregues ao full-back do Newcastle Bill McCraken.

Baralhar e dar de novo

segunda-feira, fevereiro 14, 2005
Tem sido cíclica a situação de igualdade pontual no topo da Superliga esta temporada, não havendo uma equipa capaz de se distanciar das restantes. Desta feita, foi o FC Porto que enjeitou essa possibilidade ao conceder um empate caseiro frente ao Vit. Guimarães; isto depois de ter conhecimento dos resultados dos seus mais directos adversários, formando estes uma conjuntura favorável à liderança isolada dos dragões em caso de vitória.

Ao empate dos azuis-e-brancos juntam-se o empate do Benfica em Braga e os triunfos caseiros de Boavista e Sporting sobre Marítimo e Rio Ave respectivamente; o que tudo somado resulta numa liderança a quatro sendo 38 pontos os conquistados pelos comandantes da Superliga. Está mais que visto que serão os jogos entre estas quatro equipas que decidirão qual será campeã esta temporada. Convém no entanto não retirar o Sp. Braga desta equação prematuramente, já que os minhotos se encontram a apenas um ponto do quarteto da frente.

De falta de emoção ninguém se pode queixar!

A insustentável leveza do ser… líder (II)

quinta-feira, fevereiro 10, 2005
É aqui que entra o já profícuo debate acerca do nivelamento e da competitividade do nosso campeonato. Não restam dúvidas que o campeonato português está nivelado por baixo, que a menor capacidade dos “grandes” durante esta temporada tem sido o combustível principal para a manutenção da incerteza sobre o comandante da Superliga. Mas mais do que a comparação do que foi feito no passado, chega ver o desempenho das equipas portuguesas nas competições europeias: o FC Porto, campeão europeu, passou aos oitavos-de-final da Champions League à rasca, batendo o segundo classificado do campeonato russo (CSKA) e o 12º do campeonato francês (PSG) a quem não foi capaz de vencer um único jogo; resta-lhe a coroa de glória de ter vencido o Chelsea, líder em Inglaterra. Já o Benfica viu-se afastado da mesma competição pelo segundo classificado do campeonato belga (Anderlecht), que acabou a fase de grupos sem pontuar. Se o Marítimo (6º) foi afastado pelo Rangers (2º) na Escócia, já a eliminação do Braga (3º), pelo Hearts (4º classificado) deixa muito a desejar. Para finalizar a eliminação do Nacional (11º) às mãos do Sevilha (4º em Espanha) não é de todo surpreendente.

Os dados explicitados demonstram também que a Superliga está extremamente competitiva, com a luta pelo título, pelos lugares de acesso à Champions League (convém não esquecer que o 3º fica apurado para as pré-eliminatórias), e à Taça UEFA ao rubro sendo a proximidade pontual entre as equipas que se torna complexo distinguir quem será favorito a quê.

Se me parece quase inevitável que a luta pelo título se restrinja com o tempo aos 3 grandes e, eventualmente, Boavista e/ou Braga; penso que estas duas equipas, em conjunto com o Marítimo terão uma palavra a dizer quanto à classificação final, tendo em vista o apuramento para as competições europeias. Convém também não esquecer que mesmo o Rio Ave, o Vit. Setúbal e o Vit. Guimarães, poderão ter uma palavra a dizer no que ao apuramento para a Taça UEFA, via Superliga, concerne. Uma série de resultados positivos/negativos alterará consideravelmente toda a disposição da tabela classificativa, o que apimenta sempre cada jornada.

No entanto, nem só o aumento da competitividade e o nivelamento por baixo justificam a incapacidade de uma equipa assumir a liderança de forma estável. Seria possível haver uma grande incerteza quanto à classificação no final de cada jornada, e mesmo do campeonato, e ainda assim haver uma certa estabilidade classificativa, sobretudo no primeiro posto. Voltamos assim ao tópico que este artigo pretende abordar: os motivos pelos quais não tem existido uma liderança estável na Superliga.

Para além da grande competitividade que a Superliga tem apresentado existem, na minha opinião, dois outros factores que influenciam a falta de estabilidade na liderança: qualidade do plantel e factores de índole psicológica. Como cada caso é um caso, não adianta lançar justificações generalistas mas falar de cada clube que passou pela liderança. De fora da análise deixarei o Vit. Setúbal cujo passagem pela liderança se deveu, sem beliscar o excelente trabalho desenvolvido pela equipa do Sado, à habitual “confusão” de início de campeonato.

De Boavista e Braga não mais se pode pedir do que aquilo que têm vindo a fazer; a luta pelo título não lhes diz directamente respeito, por mais que os seus adeptos e a comunicação social para lá os tentem empurrar. Quanto aos comandados de Jesualdo Ferreira, a passagem pela liderança à 19ª jornada é um marco histórico, mas a verdade é que o Sp. Braga não possui um plantel que lhe permita sonhar mais alto; isto apesar de apresentar um onze base de bom nível. Pode manter-se em contacto com o comando se não se registarem lesões ou suspensões em demasia, mas dificilmente poderão almejar a mais do que a qualificação para as competições europeias; e porque não, procurar mesmo a Champions?

O título do Boavista há 4 temporadas atrás foi ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição: a bênção é obviamente o facto de ser pela primeira vez campeão nacional; a maldição é que a partir daí as exigências são sempre demasiado elevadas para um clube que ainda não tem dimensão para ombrear de igual para igual com os grandes. O problema é que se procura no Bessa uma outra surpresa sem ter em conta que o Boavista está em reconstrução, e que esta é mais uma etapa para o sucesso e não o caminho directo.

O Benfica por sua vez sofre do complexo “este ano é que é”, com metade do país e mais de metade da comunicação social a torcer para que os encarnados quebrem o enguiço. Aproveitando a maior fragilidade dos adversário, a verdade é que o Benfica já há muito que não se via com tantas possibilidades para chegar ao tão ambicionado título como esta temporada. Os reforços de Inverno trouxerem renovada esperança, mas a equipa ainda apresenta debilidades que Nuno Assis não disfarça; não tem uma segunda linha capaz de substituir eficazmente o onze base, estando por isso refém da sorte de não haver lesões graves entre os habituais titulares. Aliado a isso, a maioria dos seus jogadores carece de capacidade psicológica para responder eficazmente aos momentos de maior pressão.
A incapacidade do Sporting em assumir a liderança resulta da dificuldade do plantel em lidar com a ansiedade de chegar ao primeiro posto. Se na Madeira foi incapaz de responder eficazmente ao melhor desempenho do Marítimo, contra o Setúbal a pressa em chegar ao golo acabou por ser o maior inimigo dos leões. A isto se junta a dificuldade de substituir determinados jogadores mantendo o mesmo nível. Se a dependência dos golos de Liedson é evidente, a falta de um jogador capaz de substituir Custódio é mais limitadora em termos da manobra colectiva.

Já o caso do FC Porto é mais sui generis. Uma equipa composta por jogadores campeões em múltiplas vertentes, com o melhor plantel da Superliga tinha tudo a seu favor para liderar a Superliga de princípio a fim; mas o facto é que não o conseguiu, e os tiros nos pés já foram tantos que subsistem dúvidas se estará em condições para o sprint final. E não conseguiu porque não teve uma liderança técnica capaz, e porque os jogadores não conseguiram lidar com as exigências de dar continuidade ao que foi feito nas épocas transactas. No entanto, mesmo com mais erros não provocados do que os mais directos opositores juntos, o FC Porto continua na frente, o que atesta bem a qualidade do seu plantel e a fragilidade evidenciada por Sporting e Benfica.

Nivelada por cima ou por baixo, aquilo que realmente interessa é que estamos perante a Superliga mais emotiva dos últimos tempos, e que promete a manter os adeptos em suspense até ao fim. A qualidade dos jogos está longe de ser a ideal, mas pelo menos cada jornada reveste-se de interesse. É o que temos.

A insustentável leveza do ser… líder (I)

quarta-feira, fevereiro 09, 2005
Que a presente edição da Superliga é uma das mais atípicas de que há memória, já todos sabemos; sabemo-lo de tal forma que a grande discussão futebolística cá do burgo se centra em desvendar o porquê de tal acontecer, se a “culpa” é de um acréscimo de qualidade das equipas de média dimensão, ou se isso se fica a dever exclusivamente à quebra verificada nos 3 grandes. Embora seja uma discussão de interesse, não procurarei aqui discutir este tópico, mas sim um outro a ele interligado: a constante mudança no líder da Superliga.

É impressionante e intrigante constatar que dificilmente uma equipa se mantém na liderança da Superliga durante um período tempo razoável. À 20ª jornada foram já 6 as equipas que passaram pela liderança, sendo que cabe ao Benfica o tempo máximo consecutivo como líder, mais precisamente 5 jornadas entre a 3ª e a 7ª, na primeira vez que os encarnados por lá passaram. A equipa da Luz voltou a assumir a liderança do campeonato à 9ª jornada, mas apenas para de lá saírem na jornada seguinte e não mais voltarem ao primeiro posto.

O FC Porto, por outro lado, é a equipa que mais vezes assumiu a condição de líder, e que leva mais tempo acumulado como tal. Os portistas chegaram à liderança na jornada 10 segurando o posto até à 13ª jornada; lá regressaram na 15ª e na 17ª, perdendo o comando para o Sp. Braga na 19ª jornada; graças à vitória sobre o Estoril, e beneficiando das derrotas de Sp. Braga e Sporting, o FC Porto voltou a assumir a liderança da Superliga na jornada 20.

Os dragões são, como dito, a equipa que mais tempo acumulado leva como líder da Superliga, com um total de 8 jornadas, embora apenas 4 delas consecutivas. De seguida surge o Benfica que foi líder durante 6 jornadas, seguido pelo Vit. Setúbal que assumiu a bandeira da liderança por 3 jornadas (1ª, 2ª e 8ª). Boavista (14ª), Sporting (16ª) e Sp. Braga (19º), foram as restantes equipas que tiveram o privilégio (será?) de se assumirem como líderes na presente edição da Superliga. O caso do Sporting é o mais curioso, já que após terem saído do primeiro posto, já desperdiçaram por duas vezes a oportunidade de lá regressarem.

De realçar que foram várias as ocasiões (como é o caso da presente jornada) em que o líder da Superliga se encontrou em igualdade pontual com uma ou duas equipas, beneficiando dos critérios de desempate previstos nos regulamentos da Liga para assumir o primeiro posto. Trata-se de facto de uma realidade à qual não estamos habituados, e que não encontra paralelo nas ligas europeias.

Fazendo uma ronda pela Europa do futebol, verifica-se que na generalidade dos campeonatos a liderança é assumida por uma equipa, havendo uma ou duas equipas em luta directa com o líder. Na vizinha Espanha, o Barcelona desde cedo descolou na frente do pelotão e aí se tem mantido destacado, embora a diferença para o Real Madrid tenha vindo a diminuir nos últimos jogos de forma progressiva. Por terras gaulesas, o tri-campeão Lyon vai caminhando para a obtenção de mais um título para o seu currículo, liderando com 7 pontos de avanço sobre o Lille e 8 sobre o Marselha quando estão decorridas 25 jornadas.

Atravessando o Canal da Mancha, e chegando a terras de Sua Majestade, encontramos Mourinho no trono da liderança da Premier League com 9 pontos de avanço sobre o Manchester Utd, e 11 sobre um Arsenal em queda-livre; parece cada vez mais eminente a coroação do Chelsea. Em Itália, a Vechia Signora tem liderado o campeonato com o AC Milan a morder-lhe os calcanhares com apenas dois pontos de atraso. Na Alemanha, Magath tem conduzido o Bayern à liderança da Bundesliga, mas são apenas 3 os pontos que o separam do Schalke 04, como Estugarda a surgir em 3ª a 6 pontos do líder.

Voltando à Velha Albion, Celtic e Rangers disputam entre si (para não variar) o título, com os católicos a disporem de uma vantagem de 2 pontos; o 3º classificado, o Hibernian, situa-se a uns confortáveis 16 pontos do segundo classificado, o que é sintomático da competitividade do campeonato escocês. Na Holanda, é para já o surpreendente AZ Alkmaar que lidera o campeonato com um ponto de avanço sobre o PSV, embora a equipa de Guus Hiddink tenha um jogo a menos; o Ajax surge em 3º com 41 pontos, enquanto que o Feyenoord é 4º com 35. Na vizinha Bélgica o Club Brugge lidera com 56 pontos, mais 11 do que o 2º classificado, o Anderlecht. Na Grécia campeã da Europa, o Olympiakos lidera com 40 pontos, mais 6 do que o AEK de Fernando Santos, e mais 7 que o rival Panathinaikos.

Vendo o panorama internacional é inegável a situação “anormal” que se vive em Portugal, onde a diferença que separa o primeiro classificado (FC Porto) do sétimo (Rio Ave) é de apenas 6 pontos, situação que privilegia a constante mudança na tabela classificativa. Mas mais do que constatar o fenómeno, importa reflectir sobre o mesmo e procurar encontrar explicações para o mesmo.

(continua)

Dejá Vu

segunda-feira, fevereiro 07, 2005
A Comissão Disicplinar da Liga puniu Benny McCarthy com 3 jogos de suspensão em função do processo sumaríssimo instaurado ao sul-africano devido a uma agressão deste a Danilo no jogo Académica - FC Porto da 17ª jornada.


Nada de anormal, a não ser o facto de esta suspensão decorrer de um recurso da SAD portista sobre a pena prévia de 2 jogos com que a CD decidira punir McCarthy, o que é estranho pois pelos vistos a defesa apresentada pelos dragões resultou na agravação da pena e não na sua diminuição, o que não se verificou nos outros casos em que houve recurso por parte dos clubes. Também curioso o facto de o recurso dos portistas relativamente à pena a aplicar a Pedro Emanuel ter resultado na agravação da pena, que passou de um para dois jogos.


Curioso também o facto de a pena afastar McCarthy do jogo com o Benfica, o que não aconteceria se a pena, decidida em reunião no dia 4 de Fevereiro sexta-feira e véspera do jogo do FC Porto com o Estoril, tivesse saído a horas próprias. Como assim não foi, McCarthy pôde alinhar contra o Estoril, mas isso afasta-o do jogo de recepção ao Benfica. No mínimo curioso.


Mais curioso é o facto de os sumaríssimos se aplicarem quase em exclusivo aos jogadores do FC Porto; principalmente quando jogadores de Benfica e Sporting cometem o mesmo tipo de infracção, na mesma altura e passam incólumes.


Declaração de Interesses - sendo eu portista esta situação penaliza-me já que prejudica o meu clube, enquanto a outros tudo, ou quase tudo, é permitido. No entanto, a presente reflexão não advém daí já que considero justas as suspensões; apenas estranho que os critérios não sejam uniformes, e que as penas dos jogadores do FC Porto sejam sempre lançadas em véspera de confrontos com o Benfica (vide casos de J. Costa, Costinha e Deco no passado).

E coragem?

sábado, fevereiro 05, 2005
O director de comunicação do Sp. Braga, Amaral Correia, informou na conferência de imprensa que se seguiu ao derby minhoto que o árbitro da partida, Pedro Proença, lhe tinha dito, com a sua equipa de arbitragem como testemunha, que se tivesse havido grande penalidade sobre Paulo Sérgio no lance em que este é nitidamente albarroado por Flávio Meireles, abandonava a arbitragem.

Visto o lance na televisão restam poucas dúvidas da justiça dos protestos bracarenses, já que existe efectivamente falta sobre P. Sérgio, não se tratando de uma simples obstrução, que daria lugar a um livre indirecto, mas a um albarroamento semelhante ao de Nem sobre Seitaridis domingo passado no Dragão, do qual resultou o penalty portista. Recorde-se que na altura o quarteto de ex-árbitros que formam O Tribunal de O Jogo consideraram correcta a decisão de Bruno Paixão.

Perante isto resta perguntar ao sr. Pedro Proença: tem coragem para cumprir o que pelos vistos prometeu? Ou vai procurar desculpas, desmentindo Amaral Correia, ou afirmando tratar-se de um lance não punível com grande penalidade?

P.S. Pessoalmente acho que a saída de Pedro Proença da arbitragem é um favor à mesma, já que não acredito tratar-se de um árbitro que faça muita falta; antes pelo contrário. Agora que é um absurdo abandonar porque se cometeu um erro, igual a muitos que já se cometeu ou mesmo de menor gravidade, lá isso é. Para a próxima tenha tento na língua e não diga disparates.

Que Porto com Couceiro?

quinta-feira, fevereiro 03, 2005
A chegada de Couceiro ao Dragão, para além de acarretar um capital de optimismo que havia em falta para os lados do Olival, coloca desde logo interrogações sobre a forma como a equipa se estruturará doravante. Tendo em conta o período em que toma contacto com o plantel, será complicado a Couceiro pôr em prática um sistema de jogo próprio, já que a habituação do plantel a uma nova filosofia levará o seu tempo, algo a que os azuis-e-brancos não se podem dar ao luxo de gastar. Com legítimas hipóteses de se sagrar campeão ainda esta temporada, Couceiro certamente não arriscará um começo do zero; tentará certamente encontrar um ponto de contacto com o que sobrou do trabalho de Mourinho (se sobrou algo) e daí criar o seu Porto.

O jogo com o Estoril no próximo sábado, considerado pelo próprio como uma final, de pouco servirá para desvendar o que Couceiro pretende da equipa. Primeiro porque qualquer efeito que se verifique em termos de melhoria dever-se-á sobretudo à troca de treinador e ao natural aumento da motivação que isso acarreta; e, em segundo lugar, porque as escolhas de Couceiro estão condicionadas por numerosas ausências. Para sábado, Couceiro sabe desde já que não poderá contar com Jorge Costa (lesionado), Maniche, Pepe e Léo Lima (castigados), havendo ainda dúvidas quanto a McCarthy, P. Emanuel e L. Fabiano, os três a contas com processos sumaríssimos, sendo que o de McCarthy se encontra em diligências finais e quase certa a sua suspensão.


Assim sendo, resta-nos especular sobre a distribuição táctica que Couceiro utilizará para o jogo com o Estoril, usando como base o Vitória de Setúbal que o novo técnico dos dragões conduziu a um honroso 8º lugar. A táctica a que Couceiro recorreu com maior frequência no início da temporada foi um 4-3-3, versão 4-2-3-1, com um dôble-pivot à frente da defesa composto por Sandro e Ricardo Chaves (com maior liberdade ofensiva), Jorginho actuando como vértice ofensivo do triângulo, apoiado nas alas por Manuel José à direita e Bruno Ribeiro à esquerda, sendo Meyong (por vezes Bruno Moraes) o homem mais avançado da equipa. Já em Alvalade optou por um 4-4-2, com Manuel José como lateral-direito incumbido de fazer todo o flanco, Bruno Ribeiro no apoio a Sandro e R. Chaves, saindo pela esquerda para a ofensiva; colocando Jorginho ainda mais próximo da dupla ofensiva composta por Meyong e por Bruno Moraes.

Partindo destas premissas, tentarei aqui explicitar as minhas ideias sobre o que poderá ser o “novo” Porto de Couceiro.

4-2-3-1


Disposição táctica em 4-2-3-1 Posted by Hello

Optando por este esquema táctico, Couceiro poderá recorrer a Bosingwa e Costinha para formar o dôble-pivot que actuará à frente de uma linha defensiva composta por Seitaridis, R. Costa, P. Emanuel e N. Valente (caso este último esteja em condições físicas para actuar, e P. Emanuel esteja disponível). Uma outra alternativa será recorrer a R. Meireles ou P. Machado para formar dupla com Costinha, ganhando com isso maior qualidade de passe mas perdendo capacidade física na luta a meio-campo. O vértice ofensivo deverá ser entregue a Diego, deixando as alas para Quaresma (à direita) e Claúdio (à esquerda), até porque o FC Porto não dispõe de muitas soluções para este posto específico. Na frente de ataque, e assumindo como quase certa a suspensão de McCarthy e o adiamento da sentença de L. Fabiano, deverá ser o ponta-de-lança brasileiro a assumir a titularidade; não sendo no entanto descabido assumir a possibilidade de Couceiro apostar na maior mobilidade de Postiga.


4-4-2


Disposição táctica em 4-4-2 losango Posted by Hello

Escolhendo o 4-4-2, Couceiro optará certamente por uma disposição em losango dos homens do meio-campo, não só porque se trata de um esquema bem conhecido pelos dragões, mas sobretudo por ser aquele que melhor se adequa às características dos seus jogadores. Neste momento, no plantel do FC Porto não existem médios-ala capazes de cobrir eficazmente os flancos em tarefas defensivas, e a aposta num sistema com alas, levaria à necessidade de compensar a sua maior vocação ofensiva com uma dupla de médios centrais com características mais defensivas, situação que afastaria Diego do onze, o que corresponde a um desaproveitamento das capacidades do plantel.

Assim, Couceiro poderá atribuir a Costinha o papel de trinco que o internacional português prefere e que tão bem desempenha; colocando Bosingwa e R. Meireles como interiores (sendo P. Machado outra opção), jogadores capazes de fazer a transposição defesa-ataque com qualidade sem descurar as funções defensivas. Diego assumiria o papel de organizador de jogo, deixando a dupla de ataque entregue a Fabiano e, naquilo que no meu entender seria um aproveitamento das suas características, a Quaresma, deixando o jogador português com liberdade para deambular na frente de ataque, dando-lhe espaço de manobra para entrar em drible pela defesa contrária e potenciar as oportunidades de remate, um dos pontos fortes do “Mustang”. Claúdio e Postiga são, obviamente, as opções naturais para substituir Fabiano e Quaresma.

Reflexões

Mais do que um sistema táctico que aproveite ao máximo o potencial do plantel que tem à sua disposição, Couceiro precisa de recuperar o que foi a “alma” do FC Porto avassalador dos últimos dois anos. Para isso, precisa de recuperar psicologicamente os jogadores, com especial destaque para aqueles que faziam parte do plantel comandado por Mourinho; e retirar um pouco da pressão que é colocada nos ombros dos jogadores mais novos que este ano chegaram ao clube, mostrando confiança nas suas capacidades e protegendo-os das críticas, não os lançando “às feras” desamparados.

Couceiro tem de constituir aquilo que ainda não existiu no Dragão: uma equipa-tipo, onde sem existirem titulares absolutos, esteja patente a importância de determinados jogadores colocados em lugares-chave como pedras estruturantes do onze. Tendo o plantel à sua disposição na totalidade, Couceiro deverá apostar na experiência dos jogadores que foram campeões europeu para formar o núcleo da equipa, preenchendo as vagas com os jogadores que se encontrarem melhor, não só em termos físicos e técnicos, mas sobretudo, e como o próprio Couceiro afirmou, em termos psicológicos. Só assim conseguirá alcançar a consistência interna necessária para criar as condições ideais de aproveitamento da capacidade dos seus jogadores.

Momentos na História I: o fim do WM

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Inglaterra - Hungria, Wembley, 25 de Novembro de 1953 Posted by Hello


25 de Novembro de 1953; Estádio de Wembley, Londres.
100.000 pessoas acorreram ao mítico estádio londrino para assistir ao jogo entre a poderosa e altiva selecção inglesa e a sua congénere húngara.

Estruturada no seu já clássico “WM”, obra do “mestre” Herbert Chapman, considerado como invencível à época; a Inglaterra foi completamente surpreendida por uma selecção formada por “magos” como Puskas, Kocsis e Czibor, acabando por perder pela primeira vez no seu território por uns expressivos 6-3!

Esta fenomenal vitória dos magiares começou a desenhar-se bem antes do apito inicial do jogo na mente do seu técnico Gustav Sebes, o homem que foi capaz de criar um esquema de jogo não só capaz de neutralizar o “WM” de Chapman, como ultrapassá-lo. Sebes estruturou a sua equipa num 4-2-4 dinâmico que assumia a forma de um “MM” quando em posse de bola e de “MU” quando esta se encontrava na posse do seu adversário.

Profundo conhecedor do sistema táctico adversário, Sebes recuou o seu ponta-de-lança (Hidegkuti) obrigando com isso ao adiantamento do “stopper” adversário, abrindo espaços nas costas da defesa inglesa aproveitados com lançamentos para a velocidade de Puskas e Koczis.

Um mês passado, as duas formações voltaram a defrontar-se em Budapeste num jogo de desforra, no qual a Hungria voltou a triunfar desta vez por um esmagador 7-1, a maior derrota de sempre da selecção inglesa!

Era a machadada final no “WM” de Chapman que marcara o futebol mundial nas duas décadas anteriores. A vitória táctica de Sebes marca o início do futebol moderno.

Escrito a 25.07.2004 in Terceiro Anel

Regresso

Depois de uma passagem por um outro sistema de blogs, o Lugar Cativo volta à plataforma de origem. Desta vez, espero que seja para ficar.

Tendo em conta a minha participação regular no Terceiro Anel, irei tentar conciliar ao máximo os dois blogs, publicando em ambos os textos que considerar pertinentes. Para o Lugar Cativo, reservarei reflexões mais pessoais.