Fica difícil falar sobre o que quer que seja depois do descalabro do futebol português nas provas europeias.6 jogos, 1 vitória, 1 empate e 4 derrotas! Verdadeiramente miserável! E pergunto: afinal qual o real valor do futebol português? O que FC Porto, Boavista e Sporting demonstraram nas últimas 3 temporadas; ou o que as derrotas de Porto e Sporting contra equipas cujas aspirações europeias são participar nas provas apresentam? Provavelmente nem um nem outro, algo de intermédio a fugir mais para o primeiro. Pelo menos, esta semana serviu para amenizar os egos nacionais que já anteviam mais uma época fantástica (apesar de ainda irmos a tempo de fazer qualquer coisa digna).
Já aqui havia escrito que não partilho do entusiasmo generalizado de Portugal ter mais equipas nas competições europeias, já que normalmente não têm o traquejo necessário para estas andanças. Mas ainda assim, mostrava-me optimista com as possibilidades lusitanas de um bom desempenho “uefeiro” esta temporada. Felizmente não tenho o hábito de apostar, ou muito provavelmente estaria a chorar o meu investimento.
As derrotas de Benfica e Setúbal são pouco mais do que banais, porque só o mais fanático dos seus adeptos poderia esperar algo mais, no caso benfiquista talvez um empate. De qualquer forma, são derrotas que não “sujam” a cara dos clubes, nem os deixam em dificuldades morais. Já o mesmo não se pode dizer de Porto e Sporting, que não só perderam, como perderam em sua casa perante equipas que só em sonhos podiam tal almejar.
Começando pelos leões, devo dizer que acompanhei o jogo através das sms recebidas por uma amiga minha, sportinguista ferrenha, e pelos seus gritos de desespero a cada golo sueco. Peseiro falhou por completo na abordagem às competições europeias, deixou escapar a participação na Champions League, e não conseguiu entrar na fase de grupos da UEFA, isto após se ter declarado como candidato à final. Perante isto, a pressão sobre o treinador leonino será cada vez maior, até porque já só tem o campeonato para salvar a temporada, pois não me parece que uma boa caminhada na Taça de Portugal sirva para amenizar os estragos.
O FC Porto só não está pior porque ainda tem possibilidades de continuar em prova, ou em seguir para a Taça UEFA. Mas perder em casa com o Artmedia, depois de estar a ganhar por 2-0 não lembra ninguém. Como é típico em Portugal, ainda o jogo não tinha acabado e já toda a gente criticava Adriaanse pela postura ofensiva da equipa; sendo os principais críticos aqueles que “endeusaram” o técnico holandês e o futebol portista. Isto só demonstra que em Portugal se vai de “bestial a besta” em muito pouco tempo, e no caso da maioria dos comentadores futebolísticos deste país ainda em menos tempo.
Muito sinceramente, não me parece que o Porto tenha perdido por jogar excessivamente ao ataque e descurar a defesa; perdeu por algo bem mais grave: displicência. Os jogadores portistas acreditaram ter o jogo ganho e deixaram “as coisas andar”; quando deram por ela, já estavam atrás no marcador e sem discernimento para recuperar. Mais do que os adeptos, acho que foram os jogadores que mais se deslumbraram com o futebol praticado.
O Braga acabou por perder em casa a eliminatória, permitindo ao Estrela Vermelha o que não tinha conseguido em Belgrado: um golo. Os sérvios conseguiram mesmo ser a primeira equipa a marcar aos arsenalistas. A falta de capacidade ofensiva dos minhotos, agravada com as lesões de João Tomás e Delibasic, provou ser fatal para as suas aspirações, o que só prova que também não adianta defender bem, é preciso atacar.
Valeu a vitória do Guimarães, consolidando a vantagem levada para Cracóvia. Saganowski voltou a marcar, e agora esperemos que Pacheco consiga surpreender mais uma vez a Europa.